Quem é quem nas semifinais do Mundial Sub-17

Nesta 5ª feira, Brasil x França, choque de invictos, e Holanda x México, os terceiros que se recuperaram

BRASÍLIA. Quatro seleções, duas partidas e dois lugares em jogo para a final de domingo da Copa do Mundo Sub-17. Brasil x França, às 20h, no Estádio Bezerrão, na cidade-satélite do Gama (DF), é a atração maior das semifinais desta quinta-feira, um choque de invictos e únicos que ganharam dos cinco adversários que enfrentaram até agora. Têm os dois melhores ataques da competição e duas das quatro melhores defesas.

Holanda x México jogam na preliminar, às 16h30m, a outra semifinal, envolvendo duas seleções que se recuperaram de campanhas ruins na primeira fase. Classificaram-se em terceiro lugar de seus respectivos grupos, para eliminarem equipes que tinham feito exibições melhores até então.

Os ganhadores desta quinta-feira se enfrentarão pelo troféu de campeão no domingo, às 19h, também no Bezerrão, com preliminar entre os perdedores das semifinais, às 15h.

O meia Peglow e o técnico Guilherme Dalla Déa na coletiva (Foto: Jorge Luiz Rodrigues)

Brasil x França – 5ª feira (14/11) – 20h – Estádio Bezerrão – Gama (DF)

Somente um deles continuará com aproveitamento de 100% após o confronto desta quinta-feira. Primeira colocada do Grupo A, com triunfos sobre Canadá (4 a 1), Nova Zelândia (3 a 0) e Angola (2 a 0), a seleção brasileira eliminou o Chile (3 a 2), nas oitavas de final, e a Itália (2 a 0), nas quartas de final. Neste último jogo, fez a melhor atuação da equipe, que gosta de propor as ações, mas não teve maior posse de bola contra a Itália, contra-atacando com perigo após ter marcado o primeiro gol aos cinco minutos.

– É circunstancial ter menos posse de bola. Há uma fase do jogo em que é preciso saber sofrer. A gente sabe construir e ser muito efetivo. A gente tem um número muito elevado de finalização. É uma característica desta geração, de jogo muito vertical e forte no jogo de lado também – explicou o técnico do Brasil, Guilherme Dalla Déa, durante a entrevista coletiva desta quarta-feira, no Estádio Bezerrão.

Para enfrentar a França, o Brasil terá a volta de Diego Rosa (do Grêmio) – que cumpriu suspensão automática pelo segundo cartão amarelo – no lugar de Talles Costa (do São Paulo), no meio-campo.

– São grandes jogadores. Talles controla mais o jogo. Diego agride mais, tem finalização boa. Um controla mais o jogo e o outro sobe mais à frente e finaliza – analisou o meia Peglow, do Internacional, sobre os dois.

Com o melhor ataque do Mundial (17 gols) e a melhor defesa ao lado do México (apenas dois sofridos), a França passou por Chile (2 a 0), Coreia do Sul (3 a 1) e Haiti (2 a 0), no Grupo C, antes de eliminar Austrália (4 a 0), nas oitavas de final, e Espanha (6 a 1), nas quartas de final, com facilidade inesperada e amplo domínio físico, tático e técnico.

O goleiro reserva da França Nazih e o técnico Giuntini (Foto: Jorge Luiz Rodrigues)

Embora o Brasil tenha sofrido nas partidas contra a Nova Zelândia e o Chile, o técnico francês Jean-Claude Giuntini realçou a qualidade do adversário e chamou a atenção para dois fatores que favorecem o anfitrião.

– Para começar, se temos o melhor ataque (17 gols) e o maior número de finalizações certas, o Brasil também fez muitos gols (14) neste torneio. Dá para ver que é uma equipe muito forte. Brilham não só como grupo, mas como talentos individuais. Têm alguns dos artilheiros. Além disso, jogam em casa, e sabemos que ser anfitrião, apoiado por muita gente no estádio, faz diferença. Não é o estilo, mas a eficácia do jogo que irá decidir esse confronto. Queremos jogar e ganhar esse grande jogo. Será um grande espetáculo. Acho que haverá muitos gols, pelo talento individual envolvido – opinou o francês.

Guilherme Dalla Déa tem opinião parecida com a de Jean-Claude Giuntini sobre a eficácia capaz de decidir o jogo.

– O nível das outras seleções vai aumentando. Nesse momento, a França é a mais difícil que enfrentaremos, mas estamos bem preparados. Será um jogo de inteligência e de nível de concentração muito alto. Semifinal mexe com ânimos e anseios. Somos ofensivos e muito organizados, assim como a França. Será um grande jogo em que a torcida tem um papel fundamental: é muito importante o estádio lotado e a nosso favor – pediu o treinador.

A expectativa de lotação é real. Segundo a organização, há poucos ingressos dos 14.710 disponíveis para a capacidade operacional do jogo. No site oficial (fifa.com/tickets) e na bilheteria do Bezerrão, hoje, por volta das 17h, não havia disponibilidade para venda, mas a organização recomenda aos torcedores interessados acessar várias vezes ao dia o site, já que existem devoluções de patrocinadores, o que possibilita a liberação de novos lotes.

Jogar com estádio lotado alegra o meia Peglow:

– A torcida é fundamental – resumiu. – Temos uma característica de jogo veloz e agressivo, e isso (jogar assim) para nós é natural. O torcedor gosta. A França é uma equipe muito boa, mas vamos confiantes para fazer o nosso papel.

Guilherme Dalla Déa lembrou que o Brasil fez gol nos primeiros 15 minutos das partidas contra Canadá, Chile e Itália e que não há dúvida sobre o estilo ofensivo da equipe:

– É importante começar bem, confiante. Faz diferença entrar muito competitivo, e mostramos isso contra a Itália. Não deixamos o adversário respirar. Queremos repetir.

Jean-Claude Giutiuni disse que há um ponto fundamental: segurar a pressão inicial do Brasil.

– O Brasil virá com tudo. A chave do jogo também está no que acontecerá no início. A eficácia faz parte disso – opinou.

Guilherme Dalla Déa acredita que a França continuará imprimindo sua base de jogo. Nem mesmo a ausência do capitão e cabeça-de-área Lucien Agoume, suspenso pelo segundo cartão amarelo, deve mudar esse estilo, segundo o treinador brasileiro:

– A França sub-17 joga da mesma forma que a seleção principal. Um jogo impregnado. Este jogador (Agoume) chega muito ao ataque. Sabermos esperar e ter paciência em momentos-chave é fundamental.

Sobre Agoume, o técnico Jean-Claude Giuntini lamentou a ausência, mas prepara alternativas. A mais provável é a entrada de Taibi.

– De fato, é uma ausência difícil, e teremos que lidar com as dificuldades de jogar sem ele (Agoume). Nosso foco está na vitória. Fizemos excelente jogo contra a Espanha. Não acho que tenha grande diferença no posto de vista técnico daquele jogo para o de amanhã. Lucien (Agoume) é o capitão e tem um papel fundamental. Ele cria muitas jogadas. Ele já aceitou que não vai participar do jogo. Ele estava inconformado. Vai nos ajudar incentivando os companheiros. Temos um grupo muito forte. Contamos com todos para superar essa ausência – opinou.

Outra força ofensiva francesa sai dos pés do meia Adil Aouchiche, do Paris Saint-Germain. O camisa 10 da seleção é o líder das assistências na Copa do Mundo Sub-17, com seis passes para gols de companheiros, e ainda marcou o primeiro dele, na arrasadora vitória por 6 a 1 sobre a Espanha.

Peglow treina pela seleção. Meia crê em ótima atuação (Foto: Alexandre Loureiro/CBF)

A rivalidade Brasil x França, ao longo dos anos, deixou o torcedor brasileiro triste com resultados negativos, como nas Copas do Mundo de 1998 e 2006, e, recentemente, na Copa do Mundo Feminina, deste ano.

– Brasil x França é sempre um grande jogo. O professor trabalha também o psicológico. Há uma ansiedade normal. Todo mundo quer que chegue logo amanhã. Para jogar este grande jogo – encerrou o meia Peglow.

BRASIL: Matheus Donelli – Yan Couto, Henri, Luan Patrick e Patryck – Daniel Cabral – Diego Rosa, Veron, Pedro Lucas e Peglow – Kaio Jorge. FRANÇA: Zinga – Soppy, Kouassi, Matsima e Pembele – Taibi, Ahamada e Aouchiche – Lihadji, Rutter e Mbuku. ÁRBITRO: Iván Barton (El Salvador).

Holanda x México – 5ª feira – 16h30m – Estádio Bezerrão – Gama (DF)

As duas seleções tiveram início ruim na Copa do Mundo Sub-17. Atuais bicampeões europeus, os holandeses perderam para o Japão (0 a 3) e Senegal (1 a 3), vencendo os Estados Unidos (4 a 0) na última rodada do Grupo D. Garantiram a classificação como um dos quatro melhores terceiros colocados, beneficiados pela derrota do Tajiquistão para a Argentina (1 a 3). Nas oitavas de final, eliminaram a favorita Nigéria (3 a 1) e, nas quartas de final, golearam o Paraguai (4 a 1).

O México empatou (0 a 0) com o Paraguai, na estreia; perdeu para a Itália (1 a 2) e arrasou as Ilhas Salomão (8 a 0) no Grupo F. Nas oitavas de final, surpreendeu o favorito e até então invicto Japão (2 a 0), antes de superar a Coreia do Sul (1 a 0), nas quartas de final.

O holandês Sontje Hansen, ponta que jogou como falso 9 nas últimas três partidas, tornou-se artilheiro da Copa do Mundo, com 6 gols nesses três jogos, e ainda deu três assistências para gols de companheiros. A exemplo de Hansen, oito titulares que enfrentaram o Paraguai jogam no Ajax, famoso por sua academia de base. O capitão Taylor é o ponto de equilíbrio da seleção. O zagueiro e lateral Ki-Jana Hoever, do Liverpool inglês, está fora do jogo, suspenso pelo segundo cartão amarelo recebido diante do Paraguai. O treinador não divulgou quem o substituirá.

– Taylor garante o ritmo da partida. Surpresas não devem ser reveladas – disse o técnico Peter van der Veen.

O técnico mexicano Marco Ruiz e o meia Alí Ávila (Foto: Jorge Luiz Rodrigues)

O México chegou pela quarta vez em oito anos (2011, 2013, 2015 e 2019) às semifinais da Copa do Mundo Sub-17. E, mais do que isso, ganhou dois títulos da categoria, conquistados em 2005 e 2011. A seleção atual tem um jogo caracterizado pela posse de bola e pela paciência. Fez 12 gols e sofreu apenas dois, enquanto a Holanda marcou 12 e levou oito.

O técnico Marco Ruiz enalteceu o trabalho de base feito pelos clubes mexicanos e pela federação, mas realçou que é preciso mais do que isso para que o México consiga ir além de quartas de final da Copa do Mundo, entre os profissionais.

– Continuidade de trabalho é algo muito bom, assim como o trabalho melhor na base dos clubes. Eles se convenceram de que trabalhar com os jovens é o ideal. Estou agradecido à federação por assumir esse desafio. Já dirigi o sub-20 e o sub-21. Mas temos que analisar cada jogador e diferentes clubes. No profissional, o espaço para gente jovem é escasso, há pouca paciência com os jovens. O atleta também precisa estar atento. Se não tem cuidado, cai em distrações. A disciplina e o trabalho diário são fundamentais. Depois desta etapa (sub-17 e sub-20), não temos conseguido resultados. Há muitos estrangeiros na Liga, e é uma tema de qualidade também, sem esquecer de que saber aproveitar as oportunidades é fundamental – avaliou o treinador mexicano.

Marco Ruiz não antecipou a equipe que jogará, mas não há atletas machucados e suspensos. Autor do gol sobre a Coreia do Sul, que garantiu a vitória por 1 a 0 nas quartas de final, o meia reserva Alí Ávila, que fez 17 anos no dia 23 de setembro, disse estar pronto para o que o técnico decidir.

– Estamos felizes, com fome de entrar em campo, ganhar e chegar à final. Significa muito para mim e para todos. Queremos estar na final e ganhar a Copa do Mundo. Todos comentamos entre nós sobre que bonito será se formos campeões – contou o atacante do Monterrey.

México e Holanda se enfrentaram há menos de dois meses, durante um torneio amistoso disputado em solo holandês, e os visitantes venceram por 2 a 1 os atuais bicampeões europeus.

– Jogamos contra eles em condições, clima, torcida e campo favoráveis ao anfitrião. Fomos uma equipe com grande personalidade. A Holanda é uma equipe campeã. Tem suas fortalezas e também pontos fracos. Aquele amistoso nos dá referências e também nossas a eles. Quem entrar mais concentrado levará a melhor. Nós temos possibilidade de ganhar – avaliou o técnico da seleção mexicana sub-17.

O treinador da Holanda, Peter van der Veen, lembrou daquele jogo, minimizando a vitória mexicana:

– Dominamos, mas perdemos por 2 a 1. Para amanhã, espero que a gente traga essa segunda bola para o nosso lado.

O apoiador Maatsen, do Chelsea, espera jogar nesta quinta-feira, e falou na coletiva holandesa sobre o entusiasmo de disputar o Mundial.

– Para mim, é uma experiência fantástica fazer parte da seleção e jogar esse torneio. Quero muito continuar a aproveitar a experiência. Jogar no Brasil é interessante. Um jogador brasileiro que gosto muito é o Marcelo, o lateral esquerdo (do Real Madrid), que é muito bom – opinou.

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