Brasil e França: choque dos 100% no Mundial Sub-17

Franceses arrasam a Espanha por 6 a 1 e brasileiros eliminam a Itália, em Goiânia

GOIÂNIA. Brasil e França mantiveram 100% de aproveitamento e farão a final antecipada, no choque de invictos na Copa do Mundo Sub-17, na próxima quinta-feira, no Estádio Bezerrão, no Gama. As duas seleções eliminaram, respectivamente, a Itália (2 a 0) e a Espanha (6 a 1), em Goiânia, e chegaram à quinta vitória consecutiva, nesta segunda-feira, em igual número de partidas na competição. A outra semifinal será entre México e Holanda, às 16h30m de quinta-feira, na preliminar de Brasil x França, que começará às 20h. Os ganhadores das semifinais decidirão o título no domingo, às 19h, também no Bezerrão.

O Estádio Olímpico Pedro Ludovico assistiu a uma rodada dupla de grandes jogadas. O Brasil encurralou a Itália, com pressão na saída de bola e uma noite espetacular de Pedro Lucas, pela primeira vez titular da seleção, como substituto de Talles Magno, cortado por lesão na última quinta-feira.

O primeiro gol do Brasil saiu logo aos cinco minutos. Patryck recebeu o passe de Pedro Lucas, deu arrancada sensacional pela esquerda e fuzilou o goleiro Molla. Praticamente todos os jogadores da seleção foram festejar o lateral-esquerdo, que é o mais jovem da equipe (16 anos) e não treinou com bola por dois dias para cumprir protocolo de recuperação da pancada na cabeça recebida no fim do jogo de quarta-feira passada, contra o Chile.

– Olhei para a área e vi o Kaio Jorge puxando a marcação. Aí, senti que dava para avançar e chutar. Fui feliz! – exclamou Patryck, depois do jogo. – Tive, sim, receio de não poder jogar, porque sofri uma pancada muito forte na cabeça, no jogo com o Chile. Quando a minha escalação foi confirmada, passou a preocupação e eu me senti muito confiante.

O lateral Patryck é festejado após marcar o gol (Foto: Alexandre Loureiro/CBF)

A Itália só começou a ameaçar aos 15 minutos, quando o zagueiro Pirola cabeceou para o chão a cobrança de escanteio, e Matheus Donelli espalmou para fora.

A qualidade de Pedro Lucas fez a diferença pela segunda vez, aos 40 minutos. Outro passe com fita métrica do meia do Grêmio, desta vez, para a direita, encontrou livre Peglow, do Internacional, que chutou cruzado, sem chance de defesa para Molla: Brasil 2 x 0 Itália, com duas assistências do substituto de Talles Magno.

Pedro Lucas e Peglow se abraçam, após o gol do camisa 10 (Foto: Alexandre Loureiro/CBF)

O Brasil vacilou em mais um momento de jogada de bola parada, cruzada para a área, quando Gnonto (1,72m) ganhou na cabeça do capitão Henri (1,89m), que estava mal posicionado. Por sorte brasileira, a cabeçada passou por cima do travessão de Matheus Donelli.

No intervalo, antes de ir para o vestiário, os 11 titulares brasileiros se reuniram quase no meio-campo para cobrarem atenção e foco uns dos outros. Era clara a intenção de evitar uma surpresa nos 45 minutos finais.

Na volta para o segundo tempo, o Brasil continuou controlando o jogo. E criou três oportunidades, desperdiçadas por Veron, Kaio Jorge e Pedro Lucas. O lateral Patryck ainda arriscou um chutaço de canhota, aos 25 minutos, que obrigou o goleiro Molla a espalmar a bola.

Três minutos depois, o jogador do Grêmio foi substituído por Sandry, do Santos, e saiu muito aplaudido pelos 8.743 torcedores presentes ao Estádio Olímpico Pedro Ludovico.

O goleiro Matheus Donelli, do Corinthians, ainda evitou o gol italiano, com uma defesaça de DVD, no mano a mano com o atacante Gnonto, aos 38 minutos.

No fim, mais aplausos calorosos para a seleção brasileira, três vezes campeã mundial (1997, 1999 e 2003), que venceu e convenceu para seguir adiante no Mundial. A França chega pela primeira vez à semifinal desde 2001, quando foi campeã.

– Temos que saber jogar a partida contra a França. É uma seleção com grande imposição física. Demonstrou nos jogos, até agora. Temos que saber jogar com a bola. E, principalmente, quando não estivermos com a bola, saber ocupar os espaços em campo. De repente, fazer um bloco um pouquinho mais alto, um bloco médio, acredito eu. A França também terá de se preocupar conosco porque temos jogadores de muita potência de lado e, principalmente, jogadores construtores no meio de campo. Diego Rosa volta ao meio-campo. Vou aguardar o relatório fisiológico para definir no lugar de quem – analisou o técnico Guilherme Dalla Déa, após a vitória sobre a Itália, já projetando a semifinal de quinta-feira, em Brasília.

Mais cedo, na preliminar, a França se despediu de Goiânia, onde jogou e venceu todas as cinco partidas que fez, com um recital diante da Espanha. A goleada por 6 a 1, de virada, surpreendeu pela supremacia francesa, que nem se abalou com o primeiro gol espanhol, marcado por Valera, logo aos dez minutos. Depois disso, começou a atuação de gala de Aouchiche. Dos pés do camisa 10 francês saíram três cobranças de escanteios para gols de Kouassi, Pembele e Rutter, além de três passes precisos desperdiçados por Pembele, Rutter e Lihadji. Aouchiche, do Paris Saint-Germain, ainda marcou o sexto e último gol. O outros foram de Mbuku e Lihadji.

– O Brasil tem uma seleção com jogadores excelentes e é muito forte. A Itália, já estamos mais habituados – afirmou o técnico francês Jean-Claude Giuntini, parecendo prever o que aconteceria na semifinal posterior à goleada francesa. – A ausência do Lucien (Agoumé, volante e capitão, suspenso pelo segundo cartão amarelo) será sentida na semifinal, mas teremos alternativas. O importante é não se deixar levar pela euforia que provoca o resultado de hoje. A semifinal é um jogo diferente.

BRASIL: Matheus Donelli – Yan Couto, Henri, Luan Patrick e Patryck – Daniel Cabral – Talles Costa, Veron (Matheus Araújo, aos 42 do 2º tempo), Pedro Lucas (Sandry, aos 28 do 2º tempo) e Peglow (Garcia, aos 36 do 2º tempo) – Kaio Jorge. Técnico: Guilherme Dalla Déa. ITÁLIA: Molla – Lamanna (Barbieri, aos 26 do 2º tempo), Dalle Mura, Pirola e Ruggeri – Panada, Brentan (Oristanio, aos 21 do 2º tempo) e Udogie – Tongya, Cudrig (Capone, aos 34 do 2º tempo) e Gnonto. Técnico: Carmine Nunziata. Juiz: Adonai Escobedo (México). Público: 8.743 presentes. Cartão amarelo: Pirola e Udogie.

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