Após início irregular, Holanda e México estão entre os 4 melhores do Mundial Sub-17. Brasil pega Itália
Holanda e México têm histórias parecidas na edição brasileira da Copa do Mundo Sub-17. Classificaram-se para as oitavas de final em terceiro lugar nos respectivos grupos, após campanhas irregulares na primeira fase. Neste domingo, passaram de etapa pela terceira vez na competição e estão nas semifinais da próxima quinta-feira, quando se enfrentarão às 16h30m, no Estádio Bezerrão, no Gama, em Brasília. A Holanda goleou o Paraguai por 4 a 1, no Estádio Kleber Andrade, em Cariacica (ES), onde, mais tarde, o México bateu a Coreia do Sul por 1 a 0.
Sontje Hansen continua encantando na Copa do Mundo Sub-17. Depois de um início surpreendente ruim da seleção holandesa, o ponta que se tornou centroavante na terceira rodada do Grupo C desandou a fazer gols. Neste domingo, não foi diferente. Pela terceira partida seguida, Hansen fez gol, chegou a seis na artilharia do Mundial e ainda deu duas assistências (tem três no total), liderando a goleada sobre o até então invicto Paraguai por 4 a 1, pelas quartas de final.

A campanha dos holandeses na primeira fase foi dramática: perderam as primeiras duas partidas do Grupo D, para Japão (0 a 3) e Senegal (1 a 3), e só avançaram para as oitavas de final, goleando os Estados Unidos (4 a 0) e beneficiados pela derrota do Tajiquistão para a Argentina (3 a 1).
Os mexicanos – campeões mundiais em 2005 e 2011 – empataram com o Paraguai (0 a 0), perderam para a Itália (1 a 2) e golearam as Ilhas Salomão (8 a 0), no Grupo F, ficando atrás de paraguaios e italianos.
Nas oitavas de final, México e Holanda superaram o ótimo momento de Japão e Nigéria na competição, respectivamente, primeiros colocados dos Grupos D e B. Ganharam com autoridade: 2 a 0 e 3 a 1.
A Holanda não tomou conhecimento do Paraguai, em Cariacica. Mandou no jogo do início ao fim, com outra grande atuação de Hansen, autor do segundo gol. Os outros foram de Hoever, Braaf e Unuvar, descontando o atacante Diego Duarte.
México e Coreia do Sul fizeram um jogo mais equilibrado. Os sul-coreanos foram um pouco melhores no primeiro tempo e desperdiçaram uma chance clara com o atacante Choi. Os mexicanos chegaram à vitória com o gol de Ávila, de cabeça, aos 31 minutos do segundo tempo.

Nesta segunda-feira, no Estádio Olímpico Pedro Ludovico, em Goiânia, as duas outras seleções semifinalistas serão conhecidas. O clássico europeu França x Espanha começa às 16h30m, na preliminar de Brasil x Itália, com bola rolando às 20h. Sem o atacante Tales Magno, cortado por estiramento muscular no bíceps femural da coxa direita, e o meia Diego Rosa, suspenso pelo segundo cartão amarelo, o técnico da seleção brasileira sub-17, Guilherme Dalla Déa, vai escalar, respectivamente, Pedro Lucas e Talles Costa.
– O Pedrinho (Pedro Lucas) tem qualidade no passe, move-se bem entre as linhas adversárias e é forte na bola parada, em cobranças de falta, assim como o Kaio Jorge (centroavante da equipe) – explicou o treinador da equipe que venceu todas as quatro partidas até agora.
O atacante Kaio Jorge, do Santos, está confiante em boa apresentação.
– A gente tem a responsabilidade de jogar em casa, mas nós vamos entrar bem motivados. A Itália tem um jogo mais cadenciado. O sub-17 é muita correria, muita vontade. A gente vai passando experiência – avaliou o atacante, que já treina com os profissionais do Santos. – Tive a oportunidade de visitar, com o Sandry (o outro jogador santista na seleção) por alguns minutos a delegação do Santos, que estava aqui em Goiânia no sábado para enfrentar o Goiás. O professor Sampaoli disse que tem acompanhado nossos jogos e que coisas boas estão por vir quando voltarmos.
Atual vice-campeã europeia, a Itália tem três vitórias e uma derrota no Mundial e tenta chegar pela segunda vez na história a uma semifinal, depois de ter ficado em quarto lugar no distante Mundial de 1987, no Canadá. Com três jogadores negros de origem africana (o lateral-direito Udogie, o meia Tongya e o atacante Gnonto), o técnico Carmine Nunziata não quis responder a uma pergunta na entrevista coletiva sobre os repetidos episódios racistas no futebol italiano.
– Eles são italianos. Nada mais tenho a dizer – respondeu Nunziata, visivelmente incomodado.
Gnonto, que acabou de fazer 16 anos no último dia 8, é o artilheiro italiano no Mundial, com três gols, e tornou-se o mais jovem desta edição a marcar – fez dois sobre as Ilhas Salomão.
Na preliminar, um choque de invictas: a Espanha (três vitórias e um empate) tenta chegar à semifinal justamente contra a 100% França (quatro vitórias). Os espanhóis foram quatro vezes finalistas do Mundial Sub-17, mas jamais conseguiram erguer a taça, perdendo todas as quatro decisões de título. O técnico David Gordo prometeu uma equipe ofensiva.
– Dizemos na Espanha que não existe melhor defesa do que o ataque. A França tem uma equipe muito forte fisicamente, com jogadores que parecem até maiores do que são. Mas temos nosso estilo. Controlamos bem o ataque do Senegal, que também é veloz e forte, como o da França – avaliou Gordo.
O técnico francês Jean-Claude Giuntini aposta em um grande jogo:
– A Espanha tem grandes jogadores, é um adversário tradicional, também nesta categoria (sub-17). Queremos avançar e temos condições – afirmou.
