EAST RUTHERFORD (NOVA JERSEY), EUA. O Chelsea se preparou e jogou a final do Mundial de Clubes como se imaginava que o favorito Paris Saint-Germain faria. Com a classe magistral de Cole Palmer, autor de dois gols e de uma assistência para João Pedro, os Blues ganharam como quiseram por 3 a 0 do atual vencedor da Champions League e se sagraram campeões do mundo pela segunda vez na História – a primeira tinha sido em 2012.

O mérito de Maresca
O triunfo se deu de maneira surpreendente pelas campanhas das duas equipes antes da final. Quando a bola rolou, viu-se também o mérito enorme do técnico italiano Enzo Maresca, que fez a única opção que parecia ser fundamental para ganhar do PSG: sair para jogar de igual para igual, sem especular e sem medo dos antecedentes e do histórico no campeonato. Parecia uma decisão lógica. No entanto, foi preciso convicção para executar o plano contra um adversário dominador que havia sofrido apenas um gol nas seis partidas anteriores – justamente o de Igor Jesus, na derrota para o Botafogo por 1 a 0, em Pasadena, na segunda rodada da fase de grupos.
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O Chelsea começou a partida com pressão alta, sem dar espaço para a criação de jogadas do PSG. Enzo Maresca escalou cinco homens no meio-campo, com o capitão Reece James improvisado como volante ao lado de Caicedo, mas apoiando tremendamente as subidas de Malo Gusto pela direita. Literalmente, o Chelsea sufocou a saída de bola do campeão europeu.
– Não tenho palavras pelo que fizeram os jogadores. Nós ganhamos o jogo nos primeiros dez minutos, quando mostramos o que queríamos – resumiu Enzo Maresca, à beira do campo, em entrevista à DAZN, logo após o capitão Reece James ter recebido o troféu de campeão das mãos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Aos oito minutos, o Chelsea teve a primeira oportunidade, em bonita jogada de combinação rápida entre Pedro Neto, Enzo Fernández e João Pedro, mas o chute de fora da área de Cole Palmer passou raspando o poste direito de Donnaruma.
Os gols não demoraram. Palmer marcou o primeiro, aos 22 minutos, aproveitando o contra-ataque de Malo Gusto. Fez também o segundo, aos 30, em jogada individual e com chute colocado de frieza impressionante. E o meia inglês, entre as linhas do PSG, enfiou a bola para a cavadinha de João Pedro, aos 43: 3 a 0 e um estádio em transe.
No segundo tempo, o PSG teve três oportunidades claras de marcar. Foi quando apareceu o goleiro Robert Sánchez, com defesas salvadoras. O Chelsea ainda teve outras oportunidades de aumentar, mas Donnaruma fez duas defesas espetaculares.
Cole Palmer é Bola de Ouro de melhor do campeonato
Ao final, a exibição do Chelsea com margem de erro zero do time treinado por Enzo Maresca, foi coroada com a taça da nova versão do Mundial de Clubes. E para Cole Palmer, a Bola de Ouro de Melhor Jogador do Mundial de Clubes 2025.
Para o vice-campeão PSG, sobrou o papelão do técnico Luis Enrique, que perdeu a cabeça e agrediu com um empurrão no rosto o atacante João Pedro. Uma última imagem de mau perdedor que o clube francês, atual campeão europeu, não merecia.

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Principais lances/1º tempo
8 minutos: combinação rápida de Pedro Neto, Enzo Fernández e João Pedro para o chute de Cole Palmer, que passou com perigo à direita de Donnaruma.
15 minutos: Kvaratskhelia cruzou rasteiro para Doué, que dominou na área, mas, em vez de chutar, quis passar para Hakimi, e o passe foi interceptado por Cucurella.
18 minutos: Doué recebeu na entrada da área, cortou Cucurella e chutou de canhota para a defesa de Robert Sánchez em dois tempos.
22 minutos: gol do Chelsea. O goleiro Robert Sánchez lançou Malo Gusto, que ganhou a disputa com Nuno Mendes, entrou na área e chutou; a bola bateu em Beraldo e voltou para Malo Gusto, que rolou para Cole Palmer bater colocado de canhota, com a bola passando por entre as pernas de Marquinhos, antes de entrar no canto direito de Donnaruma. Chelsea 1 x 0 Paris Saint-Germain.
30 minutos: gol do Chelsea. Dembelé teve o passe interceptado; Colwill ficou com a bola e lançou Cole Palmer, que cortou para o meio, livrou-se de Vitinha e Beraldo, com frieza impressionante, e chutou rasteiro novamente no canto direito de Donnaruma. Chelsea 2 x 0 Paris Saint-Germain.
43 minutos: gol do Chelsea. Cole Palmer avançou sem marcação por entre as linhas e enfiou a bola, entre Nuno Mendes e Beraldo, para João Pedro; o centroavante brasileiro deu a cavadinha e encobriu Donnaruma, que saía do gol desesperadamente. Chelsea 3 x 0 Paris Saint-Germain.
47 minutos: Hakimi cruzou na área, Colwill furou e João Neves chutou de primeira para Robert Sánchez fazer, em dois tempos, a segunda defesa difícil dele no jogo.
Fim de primeiro tempo: Chelsea 3 x 0 Paris Saint-Germain. Domínio completo do time inglês, que aproveitou os erros do campeão europeu na transição, e atuação de gala de Cole Palmer, autor de dois gols e uma assistência. O PSG teve 66% de posse de bola com apenas três oportunidades de marcar e duas defesas de Robert Sánchez. Com 34% de posse, o Chelsea chutou cinco vezes, marcou três gols, e Donnaruma fez uma defesa.

Principais lances/2º tempo
3 minutos: Kvaratskhelia chutou e Robert Sánchez defendeu.
7 minutos: Doué avançou pela direita e cruzou; Colwill não conseguiu cortar e Dembelé chutou para a grande defesa de Robert Sánchez, que espalmou com a mão direita e evitou o gol do PSG.
10 minutos: João Pedro ganhou a disputa com Beraldo e caiu na área, pedindo pênalti. O juiz mandou seguir e o VAR não interveio.
14 minutos: Vitinha arriscou de fora da área e Robert Sánchez espalmou para escanteio.
22 minutos: um minuto depois de substituir João Pedro, Delap arrancou, cortou Beraldo e soltou um balaço no ângulo de Donnaruma, que espalmou de maneira sensacional.
35 minutos: Delap recebeu o lançamento, Beraldo se atrapalhou para cortar e o centroavante chutou cruzado para Donnaruma salvar e evitar o quarto gol.
39 minutos: nada é tão ruim que não possa ser piorado. João Neves levou cartão vermelho e foi expulso, após revisão do VAR, que chamou o árbitro para olhar o puxão no cabelo de Cucurella dado pelo meia português do PSG.
Final de jogo: Chelsea 3 x 0 Paris Saint-Germain. O time inglês teve menos posse (38% contra 62%), mas foi letal com a bola, chutando nove vezes, marcando três gols e obrigando Donnaruma a duas grandes defesas. O PSG deu oito arremates, com cinco defesas de Robert Sánchez.
Ficha técnica/Chelsea 3 x 0 Paris Saint-Germain
Local: MetLife Stadium, em East Rutherford (Nova Jersey), EUA.
Gols: Cole Palmer, aos 22 e aos 30 do 1ºT; e João Pedro, aos 43 do 1ºT.
CHELSEA: 1. Robert Sánchez – 27. Malo Gusto, 23. Chalobah, 6. Colwill e 3. Cucurella – 24. Reece James (22. Dewsbury Hall, aos 32 do 2ºT) e 25. Caicedo – 10. Cole Palmer, 8. Enzo Fernández (17. Andrey Santos, aos 15 do 2ºT) e 7. Pedro Neto (18 Nkunku, aos 32 do 2ºT) – 20. João Pedro (9. Delap, aos 21 do 2ºT).
Técnico: Enzo Maresca (Itália).
PARIS SAINT-GERMAIN: 1. Donnaruma, 2. Hakimi (9. Gonçalo Ramos, aos 28 do 2ºT), 5. Marquinhos, 4. Beraldo e 25. Nuno Mendes – 17 Vitinha, 87. João Neves e 8. Fabián Ruiz (33. Zaire-Emery, aos 28 do 2ºT) – 14. Doué (24. Mayulu, aos 28 do 2ºT), 10. Dembelé e 7. Kvaratskhelia (29 Barcola, aos 13 do 2ºT).
Técnico: Luis Enrique (Espanha).
Arbitragem: Alireza Faghani, auxiliado por Anton Shchetinin e Ashley Beecham (todos da Austrália). VAR: Bastian Dankert (Alemanha).
Cartões amarelos: Pedro Neto, Caicedo, Malo Gusto e Colwill (CHE); Dembelé e Nuno Mendes (PSG).
Cartão vermelho: João Neves (PSG), aos 39 do 2ºT.
Público: 81.118 presentes.

