NOVA YORK, EUA. Um novo modelo de competição, com mais perguntas do que respostas. O Mundial de Clubes da FIFA, que termina neste domingo (13 de julho), criou ambiente bacana, principalmente dos torcedores de países latinos, mas ainda é um desafio para cativar, de maneira geral, os fãs de todos os continentes, especialmente o europeu, que encarou de maneira morna o evento.

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Os 63 jogos em 12 estádios de 11 cidades receberam público que se encantou, mas que também tem do que reclamar. Desde o início, o ponto que causa maior desconforto é o sistema de comercialização dos ingressos. Muitos torcedores não conseguiram acompanhar nem mesmo a fase de grupos completa de seus times. A principal queixa é sobre a venda, com preços dinâmicos que variam em tempo real, com base na demanda e na oferta. Isso encareceu o orçamento nada barato para seguir in loco um evento com um mês de duração.
Dois ingressos de graça como compensação
Apesar de Gianni Infantino, o presidente da FIFA, comemorar o sucesso de público no Mundial de Clubes, a verdade é que a FIFA doou ingressos para “encorpar” o público de vários jogos. Em Seattle, por exemplo, houve revolta dos torcedores que compraram ingressos na pré-venda por mais que o dobro do valor comercializado a partir da semana de início do evento. Em cima da hora, o Seattle Sounders conseguiu com a FIFA dois ingressos gratuitos para cada torcedor da franquia que havia pago muito mais caro meses antes.
DE CAMAROTE ouviu torcedores do Japão, do Brasil, dos Estados Unidos, do Equador, da França, da Espanha e da Argentina que estiveram nos estádios do Mundial, em momentos distintos, e houve queixas de todos ao modelo de venda de ingressos.
A surpresa com a queda nos preços chateou quem comprou entradas muito mais caras meses antes. Torcedores japoneses do Urawa Red Diamonds se surpreenderam.
Casal japonês só conseguiu assistir a dois jogos
O casal japonês Hiroyuki e Emi Yoshida viajou de Saitama, no Japão, a Tóquio, onde tomou o voo para Seattle. Assistiu aos dois jogos iniciais do time do coração, o Urawa Red Diamonds, nos dias 17 (contra o River Plate) e 21 de junho (contra a Internazionale de Milão). Originalmente, o orçamento não comportava esticar a viagem para mais ingressos, hospedagem e um novo voo de três horas até Los Angeles, local da terceira e última partida da fase de grupos, contra o Monterrey, do México, no último dia 25 de junho.
– Estavam muito caros os ingressos quando compramos, e decidimos viajar apenas para os dois primeiros jogos do nosso time, em Seattle, pela experiência de acompanhar em um torneio novo. Quando chegamos, surpreendentemente, o preço estava muito mais baixo, provavelmente porque a procura não foi tão alta. Porém, já tínhamos comprado passagens e hospedagem; então ficaria inviável trocar tudo. Esse sistema de preços é algo que não gostei – contou Hiroyuki Yoshida, ao lado da mulher Emi, a caminho do Lumen Field, em Seattle, antes da estreia do Urawa Red Diamonds, do Japão, contra o River Plate, da Argentina, no último dia 17 de junho, pelo Grupo E.

Torri Murray, torcedor fiel com carnê de ingressos para os jogos do Seattle Sounders na Major League Soccer (MLS), contou ao DE CAMAROTE que relutou para comprar os do Mundial de Clubes até dois dias antes da estreia contra o Botafogo, no último dia 15 de junho. Quis evitar os altos preços cobrados pelo sistema dinâmico da FIFA.
– Eu me solidarizo com quem comprou bem antes e viu os preços caírem. Dá raiva. Eu esperei para comprar, e considero (os preços) ainda caros. É um evento raro na cidade. São preços estupidamente caros. Poderíamos ter muito mais gente no estádio – opinou Murray, um dos 30.151 torcedores – menos da metade da capacidade do Lumen Field – que foram assistir à derrota do Seattle Sounders para o Botafogo por 2 a 1.
Relembre jogos e crônicas do Mundial de Clubes 2025
Seis semanas antes do primeiro jogo em Seattle, um ingresso para Seattle Sounders x Botafogo no nível 300 do Lumen Field custava 153 dólares (cerca de R$ 848). Na antevéspera da partida, o preço tinha caído para 62 dólares (cerca de R$ 343), com taxas incluídas, no site do ticketmaster, provedor oficial do Mundial de Clubes.
A variação de preços foi ainda maior durante a competição de 30 dias (14 de junho a 13 de julho). Num dos portões de entrada do MetLife Stadium, em East Rutheford (Nova Jersey), o carioca André Moreira aguardava para assistir à semifinal entre Fluminense x Chelsea, no último dia 8 de julho.
– Vim por questão de trabalho e também de orçamento. Não deu para acompanhar tudo. Fiquei pesquisando, mas o preço foi mudando e chegou a estar apenas 11 dólares (cerca de R$ 61 reais). Não dá para entender que uma semifinal custe menos que jogos da fase de grupos – reclamou.
Torcida do Chelsea encorpada por equatorianos
A torcida do Chelsea no MetLife Stadium foi “encorpada” por muitos latinos, especialmente equatorianos, por causa do volante Moisés Caicedo, titular e um dos destaques do clube inglês. A maioria desse grupo usava não só a camisa dos Blues como também a bandeira do Equador nas costas ou até a camisa da seleção do Equador, ornamentando o kit torcedor, para a semifinal contra o Fluminense.
– É uma oportunidade única ver um compatriota jogando por uma das grandes equipes do mundo. Não poderia deixar passar. O preço caiu, e me facilitou – contou Agustín Ojeda, que mora há 12 anos em Newark (Nova Jersey).
O preço dinâmico dos ingressos deverá se tornar mais relevante ano que vem, se a FIFA mantiver o sistema para os jogos da Copa do Mundo-2026. A exemplo do que aconteceu no Mundial de Clubes, Seattle vai sediar seis jogos. A diferença é que na competição atual foram seis partidas na cidade em 10 dias; já na Copa do Mundo, o período se estende para 25 dias, o que pode encarecer o orçamento.
– Eu fiquei desapontado porque comprei ingressos (para o Mundial de Clubes) no período de pré-venda, e os preços caíram mais do que pela metade. Ano que vem, pode ser uma loucura, porque a procura será maior. Eu penso que teria que hipotecar a casa ou alguma outra coisa para levantar dinheiro para os ingressos da Copa – brincou Benjamin White, dono de carnê de ingressos do Seattle Sounders na MLS, antes do jogo com o Botafogo, no último dia 15 de junho.
Botafoguense de 1 mês no estádio
A experiência inédita também motivou o carioca Pedro a levar o filho Leonardo, de apenas um mês, ao Lumen Field, para assistir com a esposa à estreia do Botafogo de coração, no dia 15 de junho passado. A família brasileira mora em Bellevue, cidade vizinha a Seattle.
– É o primeiro jogo do Leonardo em estádio, logo no Mundial de Clubes. Não deu para ir a Los Angeles, para os outros dois jogos do Botafogo. Uma vez já tá de bom tamanho, para viver a experiência – contou Pedro, com Leonardo no colo, os dois devidamente trajados com camisas do Botafogo.

Restando apenas a partida final, entre Chelsea e Paris Saint-Germain, no próximo domingo (13 de julho), o maior público até agora do Mundial de Clubes foi o confronto que abriu o Grupo B, no Rose Bowl, em Los Angeles, no dia 15 de junho. Na ocasião, o Paris Saint Germain goleou o Atlético de Madrid por 4 a 0, diante de 80.619 torcedores. O jogo começou ao meio-dia, na Califórnia (16h de Brasília).
Espera-se que a FIFA possa convocar uma coletiva para fazer um balanço do Mundial de Clubes e abrir para perguntas de jornalistas, como aconteceu e acontecia nas Copas do Mundo, mas que não tem sido comum em vários torneios na gestão de Gianni Infantino. Tão importante quanto, é dar voz à experiência do torcedor que se deslocou e foi aos estádios americanos.
Maiores públicos do Mundial de Clubes*
- 80.619 – Rose Bowl (Pasadena/Los Angeles) – PSG 4 x 0 Atlético de Madrid
- 77.542 – MetLife Stadium (East Rutherford) – PSG 4 x 0 Real Madrid
- 76.611 – MetLife Stadium (East Rutherford) – Real Madrid 3 x 2 Borussia Dortmund
- 70.556 – MetLife Stadium (East Rutherford) – Fluminense 0 x 2 Chelsea
- 70.248 – Bank of America Stadium (Charlotte) – Real Madrid 3 x 1 Pachuca

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