Pelé, o Eterno

Minha memória afetiva do futebol começou com o Rei, na Copa de 1970, e teve sensações surpreendentes desde os tempos de jovem jornalista

Pelé fez de tudo e se tornou eterno.

A história dele no futebol ainda é inigualável. Único jogador a ter conquistado três vezes a Copa do Mundo. A primeira delas, aos 17 anos, como protagonista. Na carreira, 1.281 gols. Multi campeão pelo Santos. Marcou mais do que época.

Onze dias após a final da Copa do Mundo do Catar, a morte do Pelé mexe com o noticiário não só esportivo. É reverenciado por ser um gigante que parou até guerra na África. Recebido por papas, reis e rainhas. Nunca se deixou levar pelo estrelato. Sempre tratou muito bem os jornalistas e os fãs. Sou testemunha.

No Rio de Janeiro, em 1983, para uma filmagem, Pelé me recebeu em um estúdio, em Botafogo, como se me conhecesse há 30 anos. Eu era estagiário do jornal O Globo, único repórter na Redação, quando o nosso chefe de reportagem Antonio Roberto Arruda, o querido Arrudinha, descobriu que o Pelé estava no Rio. Lá fui eu para o encontro com o Pelé, cheio de receios, que se transformaram em sorrisos e saborosa reportagem.

Em 1995, nos Jogos Pan-Americanos de Mar del Plata, na Argentina, Pelé parou um centro de imprensa inteiro. Todo mundo queria tirar fotos com ele. Inclusive, todos os jornalistas.

A morte, aos 82 anos, liberta o Rei do Futebol do sofrimento, provocado pela metástase de um câncer que começou no cólon e se espalhou. Partiu na tarde deste 29 de dezembro, rodeado de carinho da família. O mundo acompanhou com atenção e angústia este último mês de internação dele, num hospital de São Paulo.

Lá no Catar, onde trabalhei por 31 dias durante a Copa do Mundo, a preocupação aumentou a partir de 29 de novembro, com a internação do Pelé. Ele mereceu homenagens, correntes positivas de jogadores, técnicos e entidades.

A Conmebol organizou, no Centro de Doha, durante a Copa, a exposição “Árvore dos Sonhos”, sobre o futebol sul-americano, com Pelé e Maradona como personagens principais.

Estátuas de Pelé e Maradona, em tamanhos reais, foram levadas do Museu da Conmebol, em Assunção, para a exposição, em Doha. No dia 11 de dezembro, a confederação fez uma bonita homenagem ao Rei do Futebol (foto do convite acima).

Por trás da tristeza pela morte do Pelé, existe a felicidade de tê-lo visto jogar, pela tevê, na Copa do Mundo de 1970, minha primeira memória afetiva do futebol.

Não apenas tive a sorte de entrevistá-lo, mas também de admirá-lo como jogador e cidadão. Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, emprestou sua voz na defesa dos pobres, dos negros e do Brasil. Tornou-se fundamental para transformar o futebol brasileiro no produto nacional mais admirado no mundo.

Pelé deu outro sentido, único, ao futebol, o mais universal dos esportes.

Descanse em paz, Pelé, o Eterno!

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