A fada mistura arrojo e leveza em Tóquio

Prata aos 13 anos faz de Rayssa Leal a mais jovem medalhista do Brasil em 101 anos de história olímpica do país e celebra sucesso do skate

TÓQUIO, Japão. As fadas podem voar, encantar e fazer malabarismos com um skate.

Rayssa Leal, de apenas 13 anos, ganhou a medalha de prata no skate street feminino, na tarde desta segunda-feira, em Tóquio (madrugada no Brasil). Conhecida como Fadinha, a caçula da delegação nacional de 302 atletas se tornou a mais jovem do país a subir ao pódio em 101 anos de história do Brasil nos Jogos Olímpicos.

Maranhense de Imperatriz, Fadinha foi festejada em Tóquio, no Brasil e na internet. Com simplicidade e sorrisos durante a prova, a adolescente disse que estava se divertindo na estreia dela e do skate na Olimpíada.

“A medalha pesa mais do que eu” – brincou, na entrevista logo após a façanha.

Rayssa Leal, a Fadinha, encanta na pista do Ariake Park, em Tóquio (Foto: Wander Roberto/COB)

Fadinha também dedicou a medalha de prata às meninas que andam de skate e mostram que o esporte não tem lugar pra preconceitos. Mais uma história que encanta. O esporte é vida, salva vidas e traz perspectivas. A carismática fadinha nos mostra.

“Sempre fico um pouquinho nervosa depois do aquecimento. A gente sempre pensa na competição, mas eu procuro tentar me divertir. Sempre tento deixar claro que eu não me sinto tão nervosa, sob pressão, então eu gosto de estar feliz e de dançar com meus amigos”, contou ela, sobre como encarou a pressão de estar numa final olímpica.

Nas redes sociais, a estreia do skate se transformou no evento esportivo mais falado no mundo durante os Jogos até agora. No Japão, virou febre, já que duas japonesas subiram ao pódio. A campeã olímpica Momiji Nishiya, também de 13 anos como Fadinha, e a medalhista de bronze Funa Nakayama, de 16.

Além delas, o japonês Yuto Horigome arrebatou o ouro masculino, no domingo, quando o brasileiro Kelvin Hoefler ganhou a prata.

A Fadinha de Prata: recordes com carisma na pista e no pódio (Foto: Wander Roberto/COB)

O objetivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) de rejuvenescer os Jogos, incluindo cinco novos esportes chamados de radicais, mostrou-se já com o skate um acerto, diante da resposta do público às manobras, às histórias e ao comportamento dos competidores.

A Fadinha já ultrapassou os dois milhões de seguidores no Instagraam.

“Eu sonhava ter um milhão de seguidores. Já tenho dois milhões”, brincou.

Rayssa Leal, a Fadinha, com 13 anos e 203 dias, é o atleta mais jovem a conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos desde 1936, quando o francês Noel Vandernotte levou o bronze no remo. Ela também se tornou a mais jovem ganhadora de medalhas do Brasil nos Jogos Olímpicos. Superou Rosângela Santos, bronze no revezamento 4x100m feminino do atletismo quando tinha 17 anos, em Pequim-2008.

Aos 13 anos e 330 dias de idade, Momiji Nishiya é a terceira mais jovem medalhista de ouro na história dos Jogos Olímpicos de verão. Apenas a americana Marjorie Gestring (EUA, 13 anos e 268 dias) e o alemão Klaus Zerta (13 anos e 283 dias) ganharam ouro quando eram mais jovens do que a japonesa.

Nishiya também é a mais jovem ganhadora de medalha para o Japão nos Jogos Olímpicos. Ela quebrou o recorde de Kyoto Iwasaki, vencedora dos 200m peito feminino seis dias após completar o 14º aniversário, na Olimpíada de Barcelona-1992.

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