Técnico festeja jogar no Grupo D, o que a comissão técnica desejava, pelos deslocamentos mais curtos
O técnico André Jardine confirmou hoje que deseja levar o goleiro Weverton, do Palmeiras, entre os três jogadores acima do limite de 24 anos para a seleção brasileira masculina que jogará o torneio olímpico de futebol dos Jogos de Tóquio, em julho e agosto. Na campanha do ouro olímpico no Rio-2016, Weverton, hoje com 33 anos, tornou-se recordista em minutos (509) sem levar gol na história do futebol em Olimpíadas.
O treinador também elogiou o zagueiro Éder Militão, que tem idade olímpica (23 anos), mas acredita que o jogador está entre duas listas: a da seleção principal de Tite (disputará a Copa América, de 13 de junho a 10 de julho) e a olímpica (jogará no Japão, de 22 de julho a 7 de agosto), e admitiu que a convocação envolverá negociação entre o Real Madrid e as comissões técnicas, pela possível liberação.
Jardine se diz contente com o sorteio do futebol masculino nas Olimpíadas de Tóquio e contou que era o desejo da comissão técnica cair exatamente no Grupo D, para o qual a seleção brasileira foi sorteada, na manhã desta terça-feira. Os deslocamentos menores que os de outras chaves são a justificativa. Enfrentar a Alemanha, na reedição da final olímpica do Rio-2016, também deixa o treinador especialmente feliz, segundo ele, pelo desafio que se encaminha.

“Brasil x Alemanha é um jogo enorme do futebol mundial. Já foi final de Copa do Mundo (em 2002), no mesmo estádio (Internacional de Yokohama) onde jogaremos. Foi a última final olímpica. Vejo como grande motivação. É ótimo também jogar as duas primeiras partidas em Yokohama. Torci muito para cair no Grupo D. Teria um certo de privilégio por distâncias menores. Ganhamos mais tempo na recuperação e qualidade de treino, com distâncias menores nos deslocamentos de uma sede para outra”, avaliou o treinador, em entrevista coletiva por videoconferência, esta manhã.
Com as definições das partidas e grupos, Jardine contou que a CBF deverá fazer uma visita de inspeção aos locais de concentração, assim que for possível. Não descartou a possibilidade de a seleção masculina ficar na Vila Olímpica, distante cerca de 30km do estádio de Yokohama. No entanto, historicamente, essa não é uma escolha que a CBF tenha feito na fase de grupos de edições anteriores dos Jogos.
“A CBF vai optar pelo melhor local, com estrutura de treinamento e de deslocamentos”, acrescentou o treinador.
Brasil x Alemanha, a final olímpica masculina do futebol no Rio-2016, será o primeiro jogo do Grupo D de #Tokyo2020 no dia 22 de julho, às 17h30m (hora local), 5h30m da manhã de Brasília. O palco é o remodelado Estádio Internacional de Yokohama, o mesmo onde os dois países decidiram a Copa do Mundo-2002.

Além do Brasil x Alemanha na estreia, a seleção voltará a jogar em Yokohama, no dia 25/7, contra a Costa do Marfim, e viajará a Saitama para pegar a Arábia Saudita, no dia 28/7, na terceira e última rodada do Grupo D.
Já a seleção brasileira feminina treinada por Pia Sundhage estreará antes da masculina, no dia 21/7, contra a China, em Miyagi, onde também jogará em seguida, no dia 24/7, contra a campeã europeia Holanda. No dia 27/7, pegará Zâmbia, em Saitama.

Na entrevista de hoje, André Jardine respondeu também sobre outros temas, como a pandemia de Covid-19, a observação de novos atletas, as manifestações de jogadores desejando jogar a Olimpíada, os adversários do Grupo D e o fato de chegar a Tóquio dirigindo a seleção atual campeã olímpica.
Como o Brasil chegará nas Olimpíadas com a pandemia
“Essa pauta (da pandemia) nos afastou um pouquinho do ideal. A gente vinha com um projeto embalado, que começou em Toulon. Entre Pré-Olímpico e datas-Fifa, conseguimos fazer uma convocação, apenas. Temos uma base estabelecida, uma identidade de jogo. Agora, precisamos avaliar quem esteve no Pré-Olímpico e quem não esteve, mas está crescendo, o grande momento de cada atleta. Nosso formato de convocação tem um passado, uma estrutura, mas respeitando o momento que cada um vive”.
Negociação com clubes para a liberação de jogadores
“Não tem como negociar com grande antecedência. A situação muda dentro do clube. O calendário muda, tem uma indefinição de calendário. É um projeto muito forte. O desejo dos jogadores vai ser o fiel da balança. Como cada um vai se posicionar junto ao seu clube. E contamos com a compreensão dos clubes. Da Europa, alguns terão de abrir mão de uma parte da pré-temporada e das férias”.
Weverton, do Palmeiras, entre os 3 jogadores acima de 24 anos
“A gente sempre trabalhou com o pensamento de levar três (jogadores) acima da idade limite, e que seriam de posições-chave no time. Os nossos goleiros foram importantes. Quero fazer uma menção honrosa ao Ivan, muito importante na nossa campanha e ao longo das convocações, mas entendo, sim, que a situação do goleiro já foi comentada pelo Branco (coordenador de seleções de base da CBF, em entrevista na última segunda-feira, ao “Bem, Amigos”, do canal Sportv). Os goleiros mais jovens não têm uma minutagem bastante alta. Numa função em que a taxa de erro tem que ser zero, é importante levar alguém experiente. Sobre outras liberações, acho que a liberação vai ser um pouco mais tranquila do que o Pré-Olímpico, que era no meio de uma temporada na Europa. É interessante para o clube do jogador que passa a ter um valor de mercado maior. O nível de experiência também vai aumentar muito.
Atletas acima de 24 anos
“Um quebra-cabeças. Temos que fazer um raciocínio até o último dia para convocar. Ter algumas posições-chave com experiência e minutagem maiores. E algum jogador que possa agregar a uma equipe que já tem a sua maneira de jogar, mas que não pode se fechar a atletas de qualidade. Ver atletas se manifestando, como o Richarlison, querendo jogar as Olimpíadas, mostra como é grande essa competição. Esse desejo é muito bom de ouvir. Muito mais do que a qualidade técnica, ver esse fogo, essa paixão de jogar uma Olimpíada é excelente. Jogadores de seleção principal deixando claro para todos, os clubes, inclusive, o que representa essa competição”.
Jogadores novos que não atuaram no Pré-Olímpico
“Não temos um grupo fechado. Criamos um espaço para jogadores que não tinham participado. Perdemos um pouquinho de espaço com a pandemia. E na última oportunidade, na data-Fifa que está por vir (em junho), a base será mantida, mas teremos um equilíbrio, para dar chance aos jogadores que estão despontando nesse momento”.
A possibilidade de convocar Eder Militão
“É um jogador que gosto muito. Tenho afinidade com ele, por ser um menino de ouro que vi crescer. É sempre muito raro ver zagueiros jovens ter a responsabilidade de jogar em equipes com o nível mais alto possível, como o Real Madrid. É um jogador já com nível de seleção principal. Tite e a comissão da seleção principal, às vezes, me procuram para opinar sobre ele, porque sabem que eu o vi crescer. É zagueiro jovem com mais destaque no momento. Vive um grande momento e está entre as duas listas, de seleção principal e seleção olímpica”.
Ir a Tóquio sem o peso da medalha olímpica de ouro que faltava
“Não vivi esse experiência (cobrança para ganhar o primeiro ouro). Mas, se tivesse vivido, iria encarar como um grande desafio, uma grande motivação. Acho que o (Rogério) Micale (técnico no Rio-2016) encarou assim. É uma pressão normal de uma seleção com uma história vencedora. É uma responsabilidade. Mas seria um grande desafio pra mim. Tendo conquistado o ouro, o objetivo passa a ser conquistar o bi. Ainda estamos atrás dos maiores ganhadores do ouro olímpico, e isso transforma Tóquio em motivação para conquistar ainda mais”.
Alemanha, Costa do Marfim e Arábia Saudita, os adversários do Grupo D
“É uma competição muito difícil, com a Alemanha, país com tradição em Copa do Mundo e Olimpíada. Temos um respeito muito grande. Será uma primeira fase com grandes dificuldades. Respeitamos todo mundo. As outras chaves também são difíceis. Não tem receita. É fazer de cada jogo uma final”.
Estreia contra a Alemanha, adversária da disputa do ouro em 2016
“Vejo com bons olhos começar com um jogo que já foi final de olímpica, de Copa do Mundo, num estádio de final de Copa do Mundo. É muito bom. Nós vemos com entusiasmo. A gente trabalha uma vida inteira pra vivenciar jogos como esse”.

