Marin será libertado da prisão nos EUA por causa da crise do coronavírus

Juíza que o condenou aceita pedido de compaixão feito pela defesa, alegando idade avançada, estado de saúde frágil e pouco tempo para fim da pena

José Maria Marin e o advogado brasileiro Julio Barbosa (à esquerda), em Nova York, em 2017

RIO DE JANEIRO E NOVA YORK. O ex-presidente da CBF José Maria Marin teve concedido hoje o pedido de redução de pena por seis crimes de corrupção ligados ao Caso Fifa e será libertado pela Justiça americana.

O DE CAMAROTE confirmou a informação, há pouco, com a Corte do Brooklyn, em Nova York, onde Marin foi julgado e condenado. A corte não quis fazer outros comentários.

A juíza Pamela Chen, que sentenciou José Maria Marin, em 22 de agosto de 2018, ao cumprimento da pena de quatro anos de prisão, concedeu esta tarde a moção de número 1325, para a libertação compassiva do ex-presidente da CBF, de acordo com a lei americana 18 § 3582 (c) (1) (A), “pelas razões declaradas na moção do réu, incluindo idade avançada, saúde significativamente deteriorada, risco elevado de consequências graves para a saúde devido ao atual surto de COVID-19, status de infrator não violento e por já ter cumprido 80% da sentença original”.

Por causa da idade (87 anos), do bom comportamento e do período em que ficou detido, em Zurique e nos EUA, aguardando o julgamento e a sentença, Marin teria uma redução de pena, que daria a ele a liberdade em março de 2021.

Diz ainda o despacho da juíza Pamela Chen que, “embora o Réu não tenha esgotado seus recursos administrativos da maneira prescrita na Seção 3582 (c), porque o governo está consentindo com a redução de sentença solicitada, o Tribunal considera que o requisito de exaustão da Seção 3582 (c) foi cumprido”.

A juíza ainda cita jurisprudência no caso “Estados Unidos v. Monzon, 99cr157 (DLC), 2020 WL 550220, em (SDNY 04 de fevereiro de 2020) (observando que “O Segundo Circuito ainda não respondeu à pergunta sobre se o § 3582 (c) [requisito de exaustão] é jurisdicional “e, embora não resolva a questão jurisdicional, negando a solicitação da Seção 3582 (c) (1) (A) quando o governo se opôs à solicitação e o réu não conseguiu esgotar os recursos administrativos)”.

A juíza também determinou no despacho de hoje que um segundo julgamento alterado será apresentado nos próximos dias. No entanto, Pamela Chen não determinou a data exata da soltura de Marin, o que deverá acontecer em breve.

Julio Barbosa, o advogado brasileiro de José Maria Marin nos Estados Unidos, confirmou que o ex-dirigente ainda não foi solto e que passará mais alguns dias na prisão, em Allenwood, para que sejam resolvidas algumas questões.

José Maria Marin, que completará 88 anos no próximo dia 6 de maio, foi condenado a quatro anos de prisão em agosto de 2018, por ter recebido subornos num esquema de corrupção pela venda de direitos de transmissão e marketing de torneios da Conmebol e da Copa do Brasil, esta última, competição organizada pela CBF.

Na sentença de agosto de 2018, a juíza Pamela Chen mandou confiscar US$ 3,35 milhões (R$ 13,6 milhões à época) de Marin e também o sentenciou a pagar multa de US$ 1,2 milhão (R$ 4,9 milhões) pelos crimes cometidos enquanto presidente da CBF, entre março de 2012 e abril de 2015. Durante a leitura da sentença, Marin chorou.

O ex-dirigente cumpria a pena numa prisão de segurança baixa na Filadélfia, para onde havia sido transferido em outubro de 2018, a pedido dos advogados da defesa. A prisão fica na cidade de Allenwood, localizada a cerca de 350km do Metropolitan Detention Center, a penitenciária de segurança máxima do Brooklyn, em Nova York, onde Marin esteve detido desde dezembro de 2017 até a transferência.

Originalmente, Marin foi preso no dia 27 de maio de 2015, em Zurique, na Suíça, onde participaria de reuniões na Fifa e da reeleição de Joseph Blatter à presidência da entidade. Ele foi extraditado para os Estados Unidos em novembro daquele mesmo ano.

O DE CAMAROTE apurou com pessoas ligadas à família Marin que o desafio agora é trazê-lo de volta ao Brasil. A princípio, o ex-presidente da CBF não iria para Nova York, o epicentro nos EUA da Covid-19, a doença provocada pelo coronavírus. A mulher, dona Neuza, e o filho único, Marcus Vinícius, estão no Brasil.

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