Estreia contra a Bolívia tende a ser em Manaus ou Cuiabá, por causa do jogo seguinte, no Peru. Tite pensa em testes na Copa América
LUQUE, Paraguai. A seleção brasileira já conhece a ordem dos adversários que enfrentará, entre março do ano que vem e novembro de 2021, nas 18 rodadas das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo do Catar. Desta vez, o objetivo da comissão técnica é montar a logística para que a equipe dirigida por Tite viaje o mínimo de duas horas e meia e o máximo de quatro horas e meia entre uma partida e outra. No 2020 de calendário apertado, com oito rodadas das eliminatórias, mais a Copa América e a possibilidade de o Brasil defender o ouro olímpico em Tóquio, Tite estuda fazer experiências e não levar a equipe titular completa à Copa América.
– Não sei ainda, mas é uma possibilidade, que faz parte da conversa com o Juninho (Juninho Paulista, o coordenador da seleção), para avaliarmos em conjunto. Tem essa possibilidade, de fazer experiências, na Copa América. As eliminatórias são a prioridade – afirmou Tite, na zona mista de entrevistas, após o sorteio desta manhã, realizado no hotel ao lado da sede da Conmebol, em Luque (Paraguai).
Juninho Paulista confirmou a ideia e a conversa com Tite, mas alertou que é preciso esperar a classificação da seleção sub-23 no Pré-Olímpico, que será jogado de 18 de janeiro a 9 de fevereiro, na Colômbia. O coordenador reiterou que as eliminatórias são a prioridade da CBF e da comissão técnica. Por isso, está sendo montada uma logística para diminuir a média de tempo das viagens.
– Para a estreia (nas eliminatórias, a 26 ou 27 de março), contra a Bolívia, a ideia é jogar, em casa, lá em cima, numa cidade que fique mais próxima do Peru (o local do segundo jogo).

O coordenador da seleção também explicou que o projeto é usar as arenas construídas ou reformadas para a Copa do Mundo-2014, mas o critério técnico vai contar. Por isso, as condições do gramado são fundamentais para a escolha dos locais.
– A gente vai usar as arenas, porque a gente preza pela qualidade. Então, vamos buscar as arenas, que são os estádios de Copa (do Mundo). Mas é importante que todas estejam em excelentes condições de uso. Gramado é fundamental – alertou Juninho Paulista.
O ex-jogador, campeão mundial de 2002 com a seleção brasileira, citou como exemplo a partida contra o Uruguai, fora de casa, na quarta rodada, prevista para 7 ou 8 de setembro, que envolve o jogo anterior, a 3 ou 4 de setembro, em casa, diante da Venezuela:
– Para enfrentar o Uruguai, poderíamos escolher jogar a partida anterior em Porto Alegre, que fica a uma hora de voo. Mas queremos diminuir a distância média das viagens. Então, não adianta viajar uma hora para um jogo e gastar seis horas no seguinte ou no anterior. Por isso, nosso objetivo é viajar, em média, o mínimo de duas horas e meia e o máximo de quatro horas e meia durante as 18 rodadas.
Tite repetiu que a prioridade para os próximos dois anos fica para as eliminatórias. Ele admite fazer experiências na Copa América, que acontecerá de 12 de junho a 12 de julho, na Argentina e na Colômbia. Ideia que será reforçada se o Brasil se classificar para os Jogos Olímpicos de Tóquio, no qual o torneio de futebol começará no dia 22 de julho. Juninho Paulista confirmou que a ideia está sendo estudada.
– Essa é uma das ideias, se nos classificarmos para as Olimpíadas. Seria preciso fazer uma mescla de jogadores. A gente confia que jogará as Olimpíadas. São competições próximas. Precisamos esperar o resultado do Pré-Olímpico. Para a Copa América, a liberação de jogadores pelos clubes é obrigatória, mas para as Olimpíadas, não. Se disputarmos as Olimpíadas, haverá um planejamento completamente diferente da situação de não disputarmos. Estaremos competitivos, mas, talvez, sirva (a Copa América) para observar mais jogadores para as eliminatórias.
Os amistosos de 4 e 9 de junho, preparatórios para a Copa América, segundo Juninho Paulista, têm como planejamento da comissão técnica um disputado no Brasil e o outro nos Estados Unidos, em cidades mais próximas da Colômbia, país-sede do grupo brasileiro na primeira fase.
Juninho espera divulgar em breve o calendário com locais dos oito jogos das eliminatórias, marcados para o ano que vem. O técnico Tite também gostou do sorteio, sem separação de bolinhas para Brasil e Argentina, ideia que foi sepultada na reunião do Conselho da Conmebol, na véspera do sorteio.
– Qual é a tradução de fair play? É Jogo limpo. Não tem privilégio, é jogar dentro e fora de casa. Todos com sua numeração sorteada e se enfrentando, em jogo limpo – encerrou o treinador da seleção.

O presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, enalteceu o resultado do sorteio e a decisão do Conselho da entidade de não privilegiar Brasil e Argentina, com numeração pré-estabelecida.
– Desde 2016, estamos trabalhando pela reconstrução da imagem da Conmebol, e este sorteio mostra a qualidade do trabalho que tem sido feito. Teremos 4 ou 5 seleções na Copa do Mundo do Catar, em 2022. Temos que trabalhar pelos dez países, juntos, para que a hegemonia do futebol volte para a América do Sul, já no próximo Mundial – completou o dirigente paraguaio.
