Membros da entidade sul-americana se reúnem na tarde desta segunda-feira, em Assunção
ASSUNÇÃO, Paraguai. Eu nem havia passado para a faculdade quando estive no Paraguai pela primeira e única vez, em 1980. Na época, uma querida tia de consideração e grande amiga dos meus pais me convidara para passar alguns dias de férias no apartamento dela e do marido, que era funcionário do Itamaraty e da embaixada brasileira em Assunção.
Hoje, trinta e nove anos depois, cá estou, de volta à capital paraguaia, como jornalista, para cobrir os sorteios desta terça-feira, nas cercanias da suntuosa sede da Conmebol, construída na vizinha Luque. Às 10h, acontecerá o das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo-2022, que começarão em março próximo. À noite, a partir das 20h30m, serão conhecidos os grupos das Copas Libertadores e Sul-Americana do ano que vem. Com o Flamengo campeão e a final única da Libertadores-2020 já confirmada para o Maracanã, independentemente de quem jogará, aumenta mais ainda a importância da competição para os brasileiros.
Os sorteios de terça-feira são dois eventos diferentes, que vão reunir cerca de mil convidados, entre dirigentes, patrocinadores, parceiros e partes interessadas nos negócios da Conmebol. É importante realçar que eu vim pagando tudo do meu próprio bolso, sem convite algum, a exemplo do que fiz na cobertura da Copa do Mundo Sub-17, encerrada mês passado, em Brasília. Não apenas pelos sorteios, mas também pelas reuniões e bastidores que vão acontecer aqui.
Uma delas é na tarde desta segunda-feira, com os membros do Conselho da Conmebol. Fazem parte os dez presidentes das federações nacionais filiadas da América do Sul, mais dois dos membros do continente no Conselho da Fifa, além do presidente da entidade, o paraguaio Alejandro Dominguez.

Na pauta oficial da última reunião do Conselho em 2019, os preparativos para a Copa América-2020 e os eventos do calendário do ano que vem. Mas há também a pauta informal, que vai tratar do assunto mais quente nos bastidores do futebol nas últimas semanas: a reunião-surpresa que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, fez com oito membros da recém-fundada Associação Mundial de Clubes, no dia 15 de novembro, em Zurique.
Escrevi sobre esse tema, aqui, na terceira semana de novembro. E o clima ficou pesado entre os cartolas desde então, por causa daquele encontro, na sede da Fifa, sem a presença ou a consulta às seis confederações continentais filiadas.
A reunião de hoje, do Conselho da Conmebol, será a primeira vez em que os membros sul-americanos estarão juntos desde aquele encontro entre Gianni Infantino e a Associação Mundial de Clubes.
Os líderes das seis confederações continentais filiadas à Fifa ficaram irritados por não terem sido convidados para a reunião com a Associação. Alguns dirigentes já reclamaram com Infantino e mostraram descontentamento pela maneira como foi organizado o encontro, promovido por iniciativa do presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, na sede da Fifa.
Infantino explicou a alguns desses líderes que não dialogar com a Associação Mundial de Clubes poderia significar uma ruptura com consequências piores para a Fifa do que para as equipes. No entanto, os dirigentes não gostaram de ter sido alijados da primeira conversa, que envolve o modelo da novíssima Copa do Mundo de Clubes da Fifa, a ser disputada em junho de 2021, na China.
Infantino mantém excelente relacionamento com Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, mas nem este último está feliz. Normalmente, no protocolo da Fifa, reuniões com clubes são mediadas por presidentes das confederações continentais e membros do Conselho da Fifa, com apoio das respectivas federações nacionais. Desta vez, no entanto, Infantino aceitou receber a nova Associação Mundial de Clubes de Futebol sem interferência ou apoio das outras partes envolvidas na hierarquia.
Além de Florentino Pérez, pelo Real Madrid (atual campeão mundial de clubes), o encontro de 15 de novembro teve as presenças dos presidentes dos argentinos Boca Juniors e River Plate, do italiano Milan, do mexicano América, do neozelandês Auckland City, do chinês Guangzhou Evergrande e do congolês TP Mazembe. As escolhas serviram para simbolizar as presenças de, pelo menos, um clube ligado a cada continente filiado à Fifa.
É imprevisível o que pode ocorrer, mas em todos os continentes existe a preocupação com a maneira como o presidente da Fifa está tratando o assunto. O tema, sem dúvida, será aprofundado e levado à próxima reunião do Conselho da Fifa, marcada para março do ano que vem, também em Assunção. Daqui a quatro meses, a capital paraguaia receberá pela primeira vez um encontro dos 36 membros do Conselho da entidade máxima do futebol, que deverá definir o modelo de classificação de cada continente para a futura Copa do Mundo de Clubes, com 24 equipes na edição de 2021. A Conmebol tem seis vagas e não abre mão deste total.
Com os clubes sul-americanos presentes aos sorteios desta terça-feira, entre eles, River Plate e Boca Juniors, que participaram da reunião em Zurique, o assunto promete novos capítulos.
ATUALIZAÇÃO ÀS 20H30M DE SEGUNDA-FEIRA (16/12/2019)
O assunto foi levantado na reunião do Conselho da Conmebol, na tarde desta segunda-feira, na sede da entidade, em Luque (Paraguai). O presidente Alejandro Dominguez comunicou aos integrantes ter sido convidado por Gianni Infantino para uma reunião no próximo dia 21 (sábado), em Doha (Catar), para tratar do tema. Dominguez decidiu convidar para também participar da conversa dois dos membros do Conselho da Conmebol: o brasileiro Rogério Caboclo (presidente da CBF) e o colombiano Ramón Jesurún (presidente da Federação Colombiana). O encontro acontecerá antes da final da Copa do Mundo de Clubes.

Desconfio que até para a Globo será mais rentável um Flamengo na liga mundial o ano inteiro que brasileiro/libertadores. Necessário revisar o calendário mundial e dar peso a quem tem peso. Acho inclusive o rebaixamento tem de ser revisto Não há mais sentido quem tem 1 milhão de torcedores para cima não jogar 38 partidas pelo menos com chance de um título nacional único. Campeão brasileiro da Série C/D. Isso é título?
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