Ricardo Teixeira é banido do futebol pela Fifa

Dirigente pagará multa de R$ 4,2 milhões e tem 21 dias para recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte

RIO DE JANEIRO E ZURIQUE. A Câmara Decisória do Comitê de Ética da Fifa baniu, hoje, Ricardo Teixeira do futebol. Ex-membro do Comitê Executivo da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e ex-membro do antigo Comitê Executivo da Fifa, Teixeira, de 70 anos, foi julgado culpado de suborno, por violar o Código de Ética da entidade.

Na decisão, a câmara julgadora considerou que Teixeira violou o Artigo 27 (Suborno) do Código de Ética da Fifa (edição 2018) e, como resultado, sancionou o ex-dirigente com a proibição vitalícia de participar de qualquer atividade relacionada ao futebol (administrativa, esportiva ou qualquer outra) em níveis nacional e internacional.

A investigação sobre Ricardo Teixeira se referiu a esquemas de suborno, conduzidos, segundo o órgão julgador, durante o período 2006-2012, em relação ao papel do ex-dirigente na concessão de contratos a empresas pelos direitos de mídia e marketing de eventos organizados pela CBF, Conmebol e Concacaf.

Ricardo Teixeira está banido do futebol pelo resto da vida (Foto: Divulgação)

Além disso, uma multa no valor de CHF 1.000.000 (um milhão de francos suíços, ou R$ 4,2 milhões) foi aplicada pelo órgão julgador do Comitê de Ética ao ex-presidente da CBF, que continua morando no Rio de Janeiro.

Ricardo Teixeira foi notificado da decisão hoje, data em que a punição entra em vigor. A decisão está publicada no site da Fifa (legal.fifa.com).

A decisão final, no âmbito da Fifa, foi publicada hoje, mas ainda cabe recurso ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), com sede em Lausanne, na Suíça. Ricardo Teixeira tem 21 dias, a partir de hoje, para apelar ao TAS.

O link para o caso, na Câmara Decisória do Comitê de Ética, está acessível aqui, em inglês.

Procurado pelo De Camarote, Ricardo Teixeira não quis dar entrevista e delegou ao advogado Michel Asseff Filho a resposta. O advogado confirmou que irá recorrer ao Tribunal de Apelação da Fifa, ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) e, se necessário for, ao Tribunal Federal Suíço.

– Há ilegalidade na decisão. A testemunha tem que ser interrogada pelo advogado. A Fifa aceitou apenas a prova testemunhal, sem me dar a oportunidade de interrogá-la. Vamos ao Comitê de Apelação da Fifa, juntamente com a apelação ao TAS (Tribunal Arbitral do Esporte). Eu já esperava (essa decisão), porque entendo, com todo respeito à Fifa, que a investigação foi parcial, e o julgamento também. A Fifa não poderia dar valor a uma prova ilegal. Só havia depoimento pessoal contra o meu cliente, mas não testemunhal – afirmou o advogado Michel Asseff Filho, ao De Camarote.

O advogado confirmou que Alexandre Silveira, ex-secretário particular de Ricardo Teixeira, depôs na investigação feita pela Fifa, negando que tivesse recebido ou mantido contato com o argentino Alejandro Buzarco, ex-CEO da empresa de marketing esportivo Torneos y Competencias (TyC ou Torneos), o acusador de Teixeira na Justiça americana.

– Para se livrar, Buzarco acusou meu cliente, sem ter apresentado prova alguma e dizendo ter contatado e feito remessas através do ex-secretário particular do meu cliente. A Fifa aceitou o depoimento do argentino, mas não aceitou que o ex-secretário disse em depoimento não saber de nada e nem ter recebido remessa alguma – acrescentou o advogado de Teixeira.

Ricardo Teixeira vinha sendo investigado pela Fifa desde 2012, quando renunciou ao mandato na CBF, em favor de José Maria Marin, e aos cargos na Fifa e na Conmebol, em favor de Marco Polo del Nero.

Em 2015, por ocasião do indiciamento na Justiça americana no caso Fifa Gate, ele foi suspenso de suas atividades pela Câmara de Investigação do Comitê de Ética da Fifa, que recomendou o banimento do dirigente definitivamente do futebol.

“A Câmara Decisória conclui que o senhor Teixeira, sistematicamente e repetidamente, aceitou ofertas e promessas de várias propinas, de aproximadamente US$ 7,7 milhões no total, em relação aos três torneios acima citados”, diz o texto da condenação, referindo-se à Copa do Brasil (organizada pela CBF) e às copas Libertadores e América (da Conmebol).

Ricardo Teixeira presidiu a CBF entre 1989 e 2012, foi membro do Comitê Executivo da Fifa, de 1996 a 2012, e do Comitê Executivo da Conmebol, de 1991 a 2012. Juntamente com os ex-presidentes da Conmebol, o paraguaio Nicolás Leoz, e da Associação do Futebol Argentino (AFA), Julio Grondona, liderava o Trio dos Poderosos do futebol sul-americano, que foi considerado pela Justiça Americana como um dos responsáveis por um esquema de suborno que representou a movimentação de cerca de 250 milhões de dólares desde 1991.

Teixeira, apesar de continuar indiciado nos Estados Unidos, jamais foi julgado pela Justiça americana, por não ter sido preso ou extraditado.

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