Gabigol serve o prato principal no banquete rubro-negro

Gols do atacante coroam campanha que celebra outras vitórias do Flamengo ao longo do ano

O futebol tem razões que não se explicam. Não é um esporte onde predomina a justiça, mas, esta tarde, em Lima, significou a coroação da campanha do Flamengo não apenas na Copa Libertadores. A vitória por 2 a 1, de virada, sobre o campeoníssimo River Plate, parecia improvável até aos 43 minutos do segundo tempo. Como naqueles desfechos inimagináveis, valeu a celebração de um time que exibe determinação, competência e qualidade inquestionáveis nesta temporada.

Vitórias são comemoradas como acertos, e muitos foram os do Flamengo em 2019. Montou um time de elevado nível, com ídolos que atraem multidões aos estádios e jogam coletivamente. Como regente, contratou um treinador português que veio trazer novos conceitos ao futebol brasileiro e resgatar histórias e exemplos de sucesso.

Talvez, a principal lição de Jorge Jesus ao futebol brasileiro e sul-americano tenha sido resgatar a vontade de ganhar que se torna imbatível quando maior do que o medo de perder. É a combinação que faltou ao colega argentino e vitorioso Marcelo Gallardo, no momento decisivo do jogo. As substituições feitas fizeram ruir um River Plate, que parecia ter encaminhado um quinto título de Libertadores.

Isso também explica a virada de hoje de um Flamengo que jamais deixou de acreditar no impossível. Jorge Jesus veio resgatar aqueles momentos em que o futebol brasileiro considerava um desrespeito ao torcedor escalar times reservas e deixar campeonatos em segundo plano em detrimento de outros.

Para os que têm pouca idade e também memória apenas recente, o Flamengo que venceu hoje tem uma trajetória parecida com a do rubro-negro campeão da Libertadores em 1981. Naquela época, por causa de um calendário ainda mais apertado, o time chegou a jogar de dois em dois dias, sem poupar a grande maioria dos titulares.

O Flamengo não fez uma partida brilhante, esta tarde, em Lima. Willian Arão e Gérson estiveram bem abaixo do que normalmente têm mostrado neste segundo semestre. A sorte, sempre ajudada pela competência, fez-se valer quando Bruno Henrique e Arrascaeta deixaram Gabigol livre para empatar o jogo, num lance iniciado pela perda de bola infantil do argentino Lucas Pratto. O ex-atacante do São Paulo tinha dois companheiros livres, mas preferiu prender a bola até perdê-la, proporcionando o contra-ataque rubro-negro letal.

Três minutos depois, na única falha do quase impecável zagueiro argentino Pinola, Gabigol se aproveitou para definir o jogo, sem a necessidade de uma prorrogação que parecia sacramentada naquele momento.

O Flamengo celebra a Libertadores (Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)

Trinta e oito anos depois, o Flamengo de 2019 atinge mais um marco e traz aos co-irmãos cariocas e, por que não, brasileiros, exemplos e atitudes capazes de tornar ainda mais pujante uma instituição grandiosa. O futebol se paga com troféus quando há investimento, habilidade, competência administrativa e financeira, capazes de atrair ídolos que se juntam para formar uma combinação fortíssima e gloriosa com a torcida.

Para este Flamengo de 2019, nem a conquista do mundo pode mais ser um sonho impossível.

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