Seleção bate México, quebra recorde de vitórias seguidas e se torna o 3º país a ganhar 7 jogos
BRASÍLIA. Com sofrimento, drama e mais uma virada de parar corações, o Brasil conquistou o título da Copa do Mundo Sub-17, na noite deste domingo, no Estádio Bezerrão, no Gama (DF), ao vencer o México por 2 a 1. O país, que herdou a sede do Peru, em 15 de março deste ano, e, no mês seguinte, nem se classificou no Sul-Americano para a competição, só entrou como anfitrião no Mundial. Hoje, tornou-se campeão invicto, com 7 vitórias e 100% de aproveitamento, a exemplo da Suíça (2009) e do México (2011). É também apenas a segunda vez que a seleção do país-sede conquista o título em 18 edições. Antes, só o México, em 2011, obtivera tal façanha.
O Brasil ainda levou a Bola de Ouro de melhor jogador, dada pelo Grupo de Estudos Técnicos da Fifa (TSG) ao atacante Veron, do Palmeiras. O meia francês Aouchiche ficou com a de prata, enquanto a de bronze coube ao cabeça-de-área e capitão mexicano Pizzuto. Matheus Donelli (do Corinthians) foi premiado com a Luva de Ouro, de Melhor Goleiro. Kaio Jorge, centroavante do Santos, ficou com a Chuteira de Bronze, de terceiro melhor artilheiro, com 5 gols, atrás do francês Mbuku, com a de prata (no critério de assistências), e do artilheiro do Mundial, o holandês Hansen, que garantiu a de ouro, pelos seis gols marcados.
Brasil e México agora têm seis títulos da Copa do Mundo Sub-17, somados entre eles. Com a vitória de hoje, a seleção brasileira quebrou o recorde que dividia com a Suíça (2009), o próprio México (2011) e a Nigéria (2013/2015), de sete triunfos consecutivos em jogos da Copa do Mundo Sub-17. Como ganhou a decisão do terceiro lugar em 2017, contra Mali (2 a 0), e mais sete partidas na edição deste ano, bater o México nos 90 minutos significou a oitava vitória seguida e a superação da marca de sete.

Segundo maior campeão da história no sub-17, atrás da Nigéria (cinco troféus), o país conseguiu a quarta taça na categoria, após ter vencido as edições de 1997, 1999 e 2003. Disputou a final pela sexta vez na História. Campeão em 2005 e 2011, o México chegou pela quarta vez à decisão, tendo perdido as de 2013 e 2019.
O ataque do Brasil foi o segundo melhor da competição, com 19 gols, superado pelo da França (22). A defesa levou apenas seis gols, o mesmo número dos franceses. Os mexicanos sofreram cinco.

A seleção brasileira sub-17 não chegava à final da Copa do Mundo da categoria desde 2005, quando, coincidentemente, perdeu para o México por 3 a 0. Já os mexicanos estão entre os quatro melhores da competição por quatro vezes nos últimos 8 anos. Além do título de 2011 e do vice-campeonato de 2013 e 2019, conseguiram ainda a quarta colocação em 2015. Apenas em 2017 não chegaram entre os quatro melhores. Nesses oito anos, o Brasil foi quarto colocado em 2011, terceiro na edição passada (2017, na Índia) e foi campeão este ano, na primeira vez em que jogou em casa nas 17 edições das quais participou.
Presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez me disse, pouco antes de a bola rolar, que a Copa do Mundo Sub-17 iria para outro continente se o Brasil não tivesse aceitado sediar o evento, em substituição ao Peru: “Agora que chegou à final, o Brasil tem que ganhar, para coroar tudo isso”.
O Brasil começou, como em outros jogos, pressionando o adversário. Criou a primeira oportunidade aos 14 minutos, quando Kaio Jorge desviou de cabeça o cruzamento de Yan Couto e deixou Veron livre contra o goleiro García, mas o atacante do Palmeiras chutou, de primeira, por cima do travessão.
Três minutos depois, Kaio Jorge ganhou a disputa com Guzman e tocou rasteiro para Peglow disparar um balaço, que explodiu no travessão de García.
Aos 22, Veron arrancou pelo meio, deu uma caneta em Rafael Martínez e chutou triscando a trave direita do goleiro mexicano.
O México só teve a primeira oportunidade aos 24, em cobrança de falta de Efraín Álvarez, que passou rente ao poste direito de Matheus Donelli.
Veron teve mais uma chance, aos 29, mas o chute de perna esquerda, dentro da grande área, saiu fraco e facilitou a defesa de García.
Aos 41, Patryck arriscou de fora da área, e o goleiro mexicano espalmou.
E aos 45, Veron driblou dois marcadores, mas, em vez de servir Peglow livre, preferiu chutar a bola, que desviou na zaga e saiu a escanteio.
Foi o fim de 1º tempo, com 13 chutes do Brasil, mas só quatro na direção do gol (um no travessão), sete para fora e dois bloqueados. O México chutou sete vezes, com apenas uma defesa de Matheus Donelli, três para fora e outras três bloqueadas. Curiosamente, o México teve mais posse de bola (51% contra 49%), mas a seleção brasileira se mostrou mais efetiva.
No segundo tempo, Kaio Jorge perdeu frente a frente com Garcia a quinta oportunidade do Brasil, aos sete minutos.
O técnico mexicano Marco Ruiz tirou o artilheiro (4 gols) Efraín Álvarez e pôs o atacante Ávila, que marcara o da vitória sobre a Coreia do Sul, nas quartas de final. Guilherme Dalla Déa sacou o meia Pedro Lucas (Grêmio), mal, e pôs outro meia, Matheus Araújo (Corinthians).
– O Pedrinho se doou muito, e o Matheus era melhor para aquele momento do jogo, pela flutuação e por ser um jogador descansado – justificou o treinador brasileiro, após a partida.
O México saiu na frente, aos 20 minutos do segundo tempo, na única oportunidade que criou no segundo tempo. O cabeça-de-área e capitão Pizzuto cruzou na área e Bryan González subiu mais que Patryck e Luan Patrick, cabeceou para o chão e fez 1 a 0, calando o Bezerrão.
O técnico brasileiro apostou no poder de finalização de Lázaro, do Flamengo, para o lugar de Peglow, que pareceu sair nada satisfeito, aos 26 do 2º tempo.
– Lázaro é excelente finalizador e entrou num momento importante do jogo. A criação para ele foi importante, e ele aproveitou o momento certo para decidir – justificou Guilherme Dalla Déa.
Três minutos depois de entrar, Lázaro chutou por cima e perdeu um gol, na 18ª finalização da seleção brasileira. Ele ainda teria mais duas chances, mas, na última, confirmaria a aposta do técnico.
Os gritos de “Eu Acredito” começaram a tomar a arquibancada do Bezerrão, lotada por mais de 13 mil torcedores.

A seleção corria contra o relógio e a desconfiança já parecia maior, quando o VAR chamou o árbitro Andris Treimanis, para conferir um lance de pênalti de Alejandro Gómez em Veron, que o letão não havia marcado. O estádio acordou novamente. Depois de ir ao monitor, o juiz reconsiderou e marcou a penalidade. Kaio Jorge, o batedor oficial do Brasil, fez o 5º gol dele na Copa do Mundo e empatou, aos 39 do 2º tempo. O goleiro García ainda tocou na bola, mas não evitou o 1 a 1. Explodiu o Bezerrão lotado!
De novo, estava escrito nas estrelas. Como na semifinal contra a França, Lázaro entrou para decidir. Pegou de primeira, com o pé direito, o cruzamento de Yan Couto. Virada do Brasil, aos 47 do 2º tempo: 2 a 1, quando tudo indicava decisão por pênaltis.
– Quando o Yan cruzou, eu senti que faria o gol. Não sabia como seria, mas senti. Quando entrei, lembrei dos meus amigos do Ninho (do Urubu) e falei que iria fazer um gol para eles (os 10 mortos no incêndio no CT do Flamengo, em fevereiro deste ano). Eu já havia prometido para mim mesmo que jogaria por eles. Lembrei do Rykelmo (um dos mortos), que era um parceiraço. Graças a Deus, consegui realizar esse sonho – contou Lázaro, na zona mista de entrevistas.
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Antes mesmo da final de hoje, o Brasil já tinha campanha melhor do que a do México, que cresceu a partir do fim da fase de grupos. A seleção brasileira foi primeira colocada do Grupo A, com vitórias sobre Canadá (4 a 1), Nova Zelândia (3 a 0) e Angola (2 a 0). Nas oitavas de final, passou pelo Chile (3 a 2). Ganhou da Itália (2 a 0), nas quartas de final, antes da virada épica sobre a França (3 a 2), nas semifinais, quando estava perdendo por 2 a 0 até aos 17 minutos do segundo tempo.
– Nosso poder de reação foi enorme. A CBF já faz um grande trabalho, com as competições de base, como o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil Sub-17. Essa vitória, eu dedico a todos os treinadores brasileiros, especialmente, aos da base. E também ao professor Tite, que muito me apoiou. Tenho certeza de que essa fase da seleção principal é passageira e, logo, ele vai recolocar o time no caminho das vitórias. Ele me chamou uma vez e me disse para ter luz nas minhas decisões. Felizmente, coroamos esse grande trabalho, porque ele, o Branco, o presidente Rogério Caboclo e a CBF acreditaram no nosso projeto – festejou Guilherme Dalla Déa, que quer descansar, antes de tomar uma decisão sobre o futuro, mas se imagina continuar trabalhando na base, dizendo ainda ter muito a aprender.
BRASIL: Matheus Donelli – Yan Couto (Garcia, aos 48 do 2º tempo), Henri, Luan Patrick e Patryck – Daniel Cabral – Diego Rosa, Veron, Pedro Lucas (Matheus Araújo, aos 10 do 2º tempo) e Peglow (Lázaro, aos 26 do 2º tempo) – Kaio Jorge.
MÉXICO: Eduardo García – Lara, Guzman, Alejandro Gómez e Rafael Martínez – Pizzuto, Josué Martínez e Bryan González – Luna (El-Mesmari, aos 45 do 2º tempo), Muñoz (Joel Gómez, aos 31 dos 2º tempo) e Efraín Álvarez (Ávila, aos 11 do 2º tempo).
Árbitro: Andris Treimanis (Letônia).
Cartão amarelo: Daniel Cabral, Ávila, Alejandro Gómez e Joel Gómez.
Renda: R$ 189.760,00
Público: 11.858 pagantes e 2.686 não pagantes.
FRANÇA EM TERCEIRO
Mais cedo, na decisão do terceiro lugar, a França venceu a Holanda, de virada, por 3 a 1 e terminou em terceiro lugar. Foi apenas o segundo pódio francês em 18 edições da Copa do Mundo Sub-17. O outro veio em 2001, com o único título conquistado pelo país. Les Bleuets (Os Azuiszinhos) ficaram à frente dos atuais campeões europeus e com 22 gols – o ataque mais positivo da competição, contra 19 do Brasil. O recorde gols numa mesma edição é da Nigéria, com 26 em 2013.
Aouchiche, o camisa 10 francês, terminou como o melhor passador desta Copa do Mundo, com sete assistências para gols de companheiros.
A Holanda marcou o primeiro gol aos 15 minutos. O capitão Kenneth Taylor fez excelente lançamento para Taabouni, que encobriu o goleiro Lima Semedo.
A resposta francesa começou nos pés do capitão Agoume, que descobriu o lateral-esquerdo Altikulac livre na esquerda para cruzar rasteiro e Kalimuendo-Muinga tocar no canto esquerdo de Raatsie: 1 a 1, aos 21.
No segundo tempo, o capitão holandês Taylor furou, em vez de chutar a gol, e armou o contra-ataque francês em que o goleiro Raatsie também errou ao tentar cortar de cabeça. Taibi agradeceu e serviu Kalimuendo-Muinga, que mandou para a rede: Holanda 1 x 2 França, de virada, aos 9 do 2º tempo.
O show de Kalimuendo-Muinga, atacante do PSG, continuou com um hat-trick, aos 17 minutos. O atacante mergulhou de peixinho, pegando o rebote do chute de Aouchiche, que o goleiro Raatsie empalmara, antes de explodir no travessão e voltar para o artilheiro do PSG. Foi o terceiro da França sobre a Holanda, o 5º de Kalimuendo-Muinga na Copa do Mundo Sub-17, empatando com o companheiro Mbuku (substituído por Lihadji) e, mais tarde, Kaio Jorge, na vice-artilharia. Hansen, da Holanda, liderou com 6 e ganhou a Chuteira de Ouro, de artilheiro. Mbuku ficou com a de prata e Kaio Jorge, com a de bronze.
HOLANDA: Raatsie – Hoever, Regeer, Rensch e Salah Eddine – Taylor, Maatsen e Taabouni – Hansen, Braaf (Allouch, aos 44 do 2º tempo) e Unuvar (Bannis, aos 13 do 2º tempo). Técnico: Peter van der Veen.
FRANÇA: Lima Semedo – Soppy, Kouassi, Matsima e Altikulac (Pembele, aos 44 do 2º tempo) – Agoume, Taibi, Lepenant (Ahmada, aos 33 do 2º tempo) e Aouchiche – Kalimuendo-Muinga e Mbuku (Lihadji, aos 20 do 2º tempo). Técnico: Jean-Claude Giuntini.
Árbitro: Andreas Ekberg (Suécia).

Parabéns à meninada do Brasil! Equipe guerreira e talentosa que acredita até o fim! Uma grande virtude e uma lição a todos nós.
Parabéns também à sua cobertura, Jorge Luiz! Foi um prazer acompanhar a Copa por aqui. Seguimos juntos!
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Muito obrigado pelas palavras, Barizon. Uma honra.
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