Brasil duela com México pelo troféu do Mundial Sub-17

Seleção busca o 4º título, contra rival que já foi campeão duas vezes e tem vantagem no confronto

BRASÍLIA. Donos de cinco títulos da Copa do Mundo Sub-17, somados entre eles, Brasil e México vão decidir neste domingo, às 19h, no Estádio Bezerrão, no Gama (DF), quem fica com o troféu da edição brasileira. Com seis vitórias e 100% de aproveitamento na competição, o Brasil tenta se tornar o terceiro campeão na história a vencer todas as sete partidas que disputou, depois da Suíça (2009) e do próprio México (2011).

Se ganhar a partida de hoje e alcançar a sétima vitória nesta edição, o Brasil vai quebrar o recorde que divide com a Suíça (2009) e o próprio México (2011), de sete triunfos consecutivos. Como ganhou a decisão do terceiro lugar em 2017, contra Mali (2 a 0), e mais seis jogos na edição deste ano, bater o México nos 90 minutos significará a oitava vitória seguida e a superação da marca de sete consecutivas em vigor.

Segundo maior campeão da história no sub-17, atrás da Nigéria (cinco troféus), o país busca a quarta taça na categoria, após ter vencido as edições de 1997, 1999 e 2003. Disputa a final pela sexta vez na História. Campeão em 2005 e 2011, o México chegou pela quarta vez à decisão, tendo perdido apenas a de 2013.

– Vamos buscar nosso objetivo, sem mudar a nossa característica de jogo alegre, bonito e ofensivo. Esse é o legado que queremos deixar e temos conseguido, com ajuda da CBF – afirmou o técnico da seleção brasileira, Guilherme Dalla Déa.

Na preliminar, às 15h deste domingo, jogam França x Holanda, pelo terceiro lugar. Este jogo pode decidir também o ganhador da Chuteira de Ouro, prêmio ao artilheiro da Copa. O holandês Sontje Hansen lidera, com seis gols, mas o francês Nathanael Mbuku tem cinco. O brasileiro Kaio Jorge está na briga, com 4 gols.

O Brasil tem campanha melhor do que a do México, que cresceu a partir do fim da fase de grupos. A seleção brasileira foi primeira colocada do Grupo A, com vitórias sobre Canadá (4 a 1), Nova Zelândia (3 a 0) e Angola (2 a 0). Nas oitavas de final, passou pelo Chile (3 a 2). Ganhou da Itália (2 a 0), nas quartas de final, antes da virada épica sobre a França (3 a 2), nas semifinais, quando estava perdendo por 2 a 0 até aos 17 minutos do segundo tempo.

Daniel Cabral, do Flamengo, é um dos destaques do Brasil (Foto: Alexandre Loureiro/CBF)

O México enfrentou um Grupo F mais equilibrado entre três dos quatro concorrentes. Estreou com empate sem gol com o Paraguai, perdeu para a Itália (1 a 2) e arrasou as Ilhas Salomão (8 a 0), resultado que valeu a vaga como um dos quatro melhores terceiros colocados da primeira fase. Nas oitavas de final, eliminou o favorito Japão (2 a 0) e, nas quartas de final, passou pela Coreia do Sul (1 a 0). A partida mais difícil aconteceu nas semifinais, quando foi dominado e conseguiu empatar com a Holanda (1 a 1). Isso levou a decisão da vaga para os pênaltis, quando ganhou por 4 a 3. Com atuação espetacular, o goleiro Eduardo García defendeu as cobranças dos holandeses Taabouni, Braaf e Regeer.

– É uma partida de equilíbrio e que terá grandes emoções. Desde quando tivemos a percepção de que poderíamos enfrentar o Brasil, observamos mais o adversário, que tem suas fortalezas e seus pontos fracos. É uma grande equipe. Ganhará quem for mais eficiente – avaliou o técnico mexicano, Marco Ruiz.

O México tem a melhor defesa do Mundial. Sofreu apenas três gols e marcou 13. O ataque do Brasil é o segundo melhor da competição, com 17 gols, superado apenas pelo da França (19). A defesa levou apenas cinco gols, o mesmo número dos franceses.

– Estou pronto, física e mentalmente. Será um grande jogo. Viemos aqui para ganhar e queremos cumprir nosso objetivo – disse o goleiro Eduardo García, o menos vazado do Mundial.

O goleiro mexicano García é o menos vazado do Mundial (Foto: Jorge Luiz Rodrigues)

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A seleção brasileira sub-17 não chegava à final da Copa do Mundo da categoria desde 2005, quando, coincidentemente, perdeu para o México por 3 a 0. Já os mexicanos estão entre os quatro melhores da competição por quatro vezes nos últimos 8 anos. Além do título de 2011 e do vice-campeonato de 2013, conseguiram ainda a quarta colocação em 2015. Apenas em 2017 não chegaram entre os quatro melhores. Nesses oito anos, o Brasil foi quarto colocado em 2011, terceiro na edição passada (2017, na Índia) e chegou à final este ano, na primeira vez em que joga em casa nas 17 edições das quais participou.

Guilherme Dalla Déa espera que o título seja a confirmação de sucesso para os jogadores da categoria. Embora seja o país recordista de participações na Copa do Mundo Sub-17 e tenha três títulos, apenas dois jogadores dos 56 campeões mundiais de 1997, 1997 e 2003 chegaram à seleção principal (Adriano e Ronaldinho Gaúcho) e somente oito atuaram alguma vez pelo Brasil adulto. Não é muito diferente em geral da estatística mundial, já que Ronaldinho Gaúcho é o único jogador campeão do mundo sub-17 (1997) e profissional (2002).

– A gente mostra o melhor caminho a ser seguido e o exemplo de quantos jogadores estiveram aqui e não conseguiram. A gente espera construir uma nova estatística. Esse grupo é muito forte, composto por atletas talentosos. Por isso, acredito que teremos, sim, vários deles representando a seleção brasileira no futuro – afirmou o treinador.

O cabeça-de-área Daniel Cabral acredita que, antes de pensar no profissional, é preciso dar certo no sub-17 e ir avançando.

– Precisamos confirmar aqui. O foco mais importante é conseguir o objetivo, que é o título. A evolução vem a cada passo que damos, com muito trabalho e foco naquilo que queremos – acrescentou o jogador do Flamengo.

Guilherme Dalla Déa exaltou a mentalidade forte dos jogadores e o trabalho feito até aqui:

– Sinto todos eles preparados para a final. Estamos muito fortes, mental e emocionalmente, para esse grande jogo, contra um México muito forte na categoria. O México, para estar na final, tem uma grande seleção. É uma escola que tenta impor seu futebol com a velocidade na transição, mas sabe se defender. Esperamos bloquear os pontos fortes da seleção mexicana.

Marco Ruiz, o colega mexicano de Dalla Déa, reconhece outra virtude da seleção que ele próprio comanda:

– Podemos não ser uma seleção que impõe seu jogo, mas temos muitas variações táticas e capacidades. Chegamos até aqui por nosso próprio mérito. Quando a sede do Mundial mudou (em março passado) do Peru para o Brasil, pensamos que seria ainda melhor vir jogar num país que ama o futebol. Agora que chegamos à final, justamente contra o anfitrião Brasil, em vez de temer, vamos desfrutar desse momento e tentar ganhar.

Chamado pelo atacante e artilheiro (4 gols) Kaio Jorge de “o pulmãozinho da seleção”, o cabeça-de-área Daniel Cabral diz que a final deste domingo é a realização de um sonho de criança.

– Sempre quis representar o meu país numa final de Copa do Mundo. A gente sabe que, pelos resultados que temos conseguido, temos total confiança em conseguir o título. Não será fácil, mas temos condições. Penso em tudo que realizei para chegar até aqui, penso nos meus amigos que morreram no (incêndio) Ninho do Urubu, nos amigos do Flamengo, na minha família. Jogo por mim e por eles – acrescentou.

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O retrospecto diante do México, em mundiais sub-17, com três derrotas e apenas uma vitória, não preocupa Guilherme Dalla Déa.

– Eu respeito o que passou, mas penso muito no presente. Todos os atletas têm que pensar assim. É uma final diferente, para a qual a gente chega muito forte. É nesse momento que a gente tem de fazer a diferença dentro de campo. É o momento de fazer a história. No futebol, quem fica na história é o vencedor – opinou.

O treinador testou, no treino deste sábado, formações diferentes, com a possibilidades de entrada do lateral-direito Garcia no lugar do apoiador Pedro Lucas, passando Peglow da ponta-esquerda para o meio, Yan Couto da lateral direita para a ponta-direita e Veron, da ponta-direita para a esquerda.

– Não vamos mudar a nossa característica. Taticamente, a gente consegue mudar dentro da partida algumas variações, e isso é muito importante. Quero ver duas ou três peças que possam entrar – explicou o treinador.

Marco Ruiz disse que não divulgará a escalação antes de amanhã à tarde, mas é certo que Lara substituirá Ruiz na lateral direita, por lesão muscular do antigo titular. Outras possibilidades são as entradas de Efraín González na vaga de Luna, no ataque, e de Joel Gómez na de Bruce El-Mesmari, na meia direita.

Além do adversário, Daniel Cabral disse que o espaço curto entre os jogos exige mais cuidados.

– O sono e a alimentação são muito importantes. Procuro sempre descansar. Mas é fundamental também o trabalho da equipe médica e da equipe fisiológica. Eles nos deixam 100% para o jogo – agradeceu.

Independentemente do título, Guilherme Dalla Déa aposta no resgaste do futebol brasileiro, bem jogado, com alegria e comemoração. Ganhar o Mundial só fortalecerá esse aspecto, segundo o treinador da seleção.

– O legado é não abrir mão das convicções que temos. O futebol brasileiro vem sendo resgatado em todos os sentidos pela CBF. Nas categorias de base, o Campeonato Brasileiro Sub-17 e a Copa do Brasil Sub-17 são a oportunidade para nós, atletas e técnicos, de se enfrentar em alto nível. Todas as equipes do Brasil estão se se enfrentando em alto nível. A gente vê a parte tática inserida, mas vê também a felicidade dos jogadores em campo. O resultado para alguns é o mais importante. Eu já vejo de maneira diferente. Nessa idade, eu vejo a formação e o caráter – avaliou.

O treinador diz também que é importante combater a frieza no futebol e valorizar a comemoração do que merece ser comemorado.

– O que me chama a atenção é o momento do gol. O gol é o prazer, o êxtase do futebol. Alguns, quando fazem, não comemoram, não vibram. Agora, já estou vendo um outro tipo de comportamento dos nossos jogadores. Não importa o estado ou a competição. Temos que resgatar isso. A felicidade do futebol é o gol – pediu.

BRASIL: Matheus Donelli – Yan Couto, Henri, Luan Patrick e Patryck – Daniel Cabral – Diego Rosa, Veron, Pedro Lucas (ou Garcia) e Peglow – Kaio Jorge.

MÉXICO: Eduardo García – Guzman, Alejandro Gómez e Rafael Martínez – Lara, Pizzuto, Josué Martínez, El-Mesmari (ou Joel Gómez) e Bryan González – Luna (ou Efraín González) e Muñoz.

Árbitro: Andris Treimanis (Letônia).

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