Quem é quem nas quartas de final do Mundial Sub-17

Brasil x Itália, França x Espanha, Coreia do Sul x México e Paraguai x Holanda: vitória ou adeus

GOIÂNIA. Eram 24 seleções no dia 26 de outubro, restam oito e na segunda-feira serão apenas quatro. As quartas de final da Copa do Mundo Sub-17 acontecerão a partir de amanhã, com dois jogos, em Cariacica (ES), e outras duas partidas, na segunda-feira, em Goiânia. Das oito equipes nesta fase, apenas três já foram campeãs: Brasil (1997, 1999 e 2003), México (2005 e 2011) e França (2001). Itália, Coreia do Sul, Espanha, Holanda e Paraguai tentam a glória ainda inédita na categoria para esses países.

O anfitrião Brasil e a França são os únicos invictos, com 100% de aproveitamento e quatro vitórias. Se mantiverem o aproveitamento na segunda-feira, em Goiânia, irão se encontrar em uma das semifinais da próxima quinta-feira, em Brasília. Só que terão como adversários, respectivamente, a Itália (vice-campeã europeia) e a invicta Espanha.

Nas quartas de final, como em todas as fases de mata-mata da competição, se houver empate no tempo normal, não haverá prorrogação. A decisão acontecerá em cobranças de pênaltis, o que ainda não ocorreu na atual edição. Todas oito partidas das oitavas de final tiveram vencedor nos 90 minutos.

Dois dos oito ganhadores das oitavas de final foram seleções que avançaram em terceiro lugar na fase de grupos, eliminando vencedores de chaves: o México, que bateu o Japão; e a Holanda, que superou a Nigéria (recordista de títulos do Sub-17, com cinco).

Preparei uma análise sobre o que vi até agora das oito seleções na Copa do Mundo Sub-17 e os confrontos das quartas de final. Leia abaixo:

Talles Costa volta à seleção no lugar do suspenso Diego Rosa (Foto: Alexandre Loureiro/CBF)

Brasil x Itália – segunda-feira (11/11) – 20h – Estádio Olímpico – Goiânia

Três vezes campeã mundial sub-17 (1997, 1999 e 2003) e pela primeira vez anfitriã, a seleção brasileira é a única e a última sul-americana a ter vencido o evento, há distantes 16 anos. Ganhou as quatro partidas que disputou até agora: Canadá (4 a 1), Nova Zelândia (3 a 0), Angola (2 a 0), no Grupo A, da primeira fase: e Chile (3 a 2), nas oitavas de final. Só na estreia, diante dos canadenses, o Brasil não sofreu para ganhar. Tem dois desfalques importantes: o atacante Talles Magno, do Vasco, cortado da equipe, na última quinta-feira, após ter sofrido um estiramento muscular no bíceps femural da coxa direita, nos acréscimos da partida contra o Chile; e o meia Diego Rosa, que levou o segundo cartão amarelo na mesma partida. O técnico Guilherme Dalla Déa deverá escalar como substitutos Talles Costa, do São Paulo, e Pedro Lucas, do Grêmio, passando Peglow, do Internacional, à ponta-esquerda, para fazer a função de Talles Magno. O lateral-direito Yan, do Coritiba, volta ao time no lugar de Garcia, do Palmeiras, após ter cumprido suspensão de dois jogos pela expulsão diante da Nova Zelândia, na primeira fase. O atacante Kaio Jorge, do Santos, foi o herói com dois gols na vitória sobre o Chile e é o artilheiro da equipe, com três e também uma assistência.

Kaio Jorge tem sido destaque brasileiro no Mundial (Foto: Alexandre Loureiro/CBF)

A Itália é a atual vice-campeã europeia. Perdeu a final por 4 a 2 para a Holanda. Venceu as Ilhas Salomão (5 a 0), México (2 a 1) e Equador (1 a 0), perdendo para o Paraguai (2 a 1), em partida que iniciou com nove reservas. O goleiro Molla (do Bologna), o cabeça-de-área e capitão Panada (Internazionale), o atacante Gnonto (Internazionale) e o meia Tongya (Juventus) são os destaques. Na reserva, o meia Oristanio (Atalanta) tem habilidade e é exímio batedor de faltas. Foi assim que marcou o gol da vitória sobre o Equador. A Itália não avança às semifinais do Mundial Sub-17 desde 1987 (no Canadá), quando terminou em quarto lugar. O técnico Carmine Nunziata está preocupado com o desgaste de jogos a cada três dias e afirmou que jogar com o Brasil na casa do adversário é uma tarefa para credenciar qualquer seleção, em caso de vitória, a brigar pelo título. O atacante Gnonto, filho de pais marfinenses e nascido na cidade italiana de Verbania em 2003, tem 1,72m, três gols no Mundial e fez 16 anos no último dia cinco. Ele se tornou o mais jovem a marcar na atual competição, diante da Ilhas Salomão. Nem esperava ser convocado, mas ganhou espaço com a lesão de Esposito, destaque no Europeu Sub-17 e cortado antes do início do Mundial. O meia Franco Tongya é filho de pais camaroneses nascidos em Douala, de onde emigraram para a Itália há 20 anos. Tongya nasceu em Turim, em 2002, e está na Juventus desde 2009.

O lateral-esquerdo Patryck fala sobre o susto que levou contra o Chile e garante presença contra a Itália (Imagens: Jorge Luiz Rodrigues)

França x Espanha – segunda-feira (11/11) – 16h30m – Estádio Olímpico – Goiânia

O terceiro e o quarto colocados do último Europeu Sub-17 vão se enfrentar nas quartas de final do Mundial, no qual estão invictos. A exemplo do Brasil, a França tem 100% de aproveitamento por ter vencido todos os quatro jogos. Foi primeira colocada do Grupo C, batendo Chile (2 a 0), Coreia do Sul (3 a 1) e Haiti (2 a 0), e eliminou a Austrália (4 a 0) nas oitavas de final. O camisa 10 Adil Aouchiche (do Paris Saint-Germain) foi artilheiro do Europeu, com 9 gols em cinco partidas. É o cérebro da equipe. Meia ponta de lança, marca e faz os companheiros jogarem, com técnica e visão de campo apuradas. Assinou com o Paris Saint-Germain quando tinha 12 anos. Em agosto, tornou-se o mais jovem jogador a atuar pelo PSG no Campeonato Francês, na vitória por 2 a 0 sobre o Metz. Tem nacionalidades francesa e argelina. Outro destaque, o ponta Lihadji, nascido francês de origem nos Comores, já estreou em setembro passado no time principal do Olympique de Marselha, atuando em duas partidas do Campeonato Francês. E o centroavante Mbuku, já com quatro partidas na temporada do Campeonato Francês pelo Reims, fez três dos quatro gols na vitória sobre a Austrália. A França busca o segundo título mundial sub-17 de sua história. Ganhou a única final que disputou, em 2001 (em Trinidad Tobago): 3 a 0 sobre a Nigéria.

A Espanha também está invicta neste Mundial. Terminou em primeiro lugar no Grupo E, empatando com a Argentina (0 a 0) e ganhando do Tajiquistão (5 a 1) e de Camarões (2 a 0). Nas oitavas de final, passou pelo Senegal (2 a 1). O atacante Pedri, do Las Palmas, mas já comprado pelo Barcelona, é o nome mais festejado do time, mas o habilidoso ponta de lança Navarro, da Real Sociedad, joga um grande Mundial e é o artilheiro da seleção, com três gols. Essa geração espanhola espera ter desempenho ainda melhor do que a passada, vice-campeã em 2017, ao perder para a Inglaterra por 5 a 2 na decisão do título. Aquela foi a quarta final disputada e perdida pela Espanha no Mundial Sub-17, a exemplo de 1991 (contra Gana), 2003 (diante do Brasil) e 2007 (para a Nigéria). Espera, desta vez, fazer jus à tradição de maior vencedora do Europeu Sub-17, com nove conquistas.

Paraguai x Holanda – domingo (10/11) – 16h30m – Estádio Kleber Andrade – Cariacica (ES)

Vencedor do Grupo F e terceiro colocado dos dois últimos Sul-Americanos Sub-17 (2017 e 2019), o Paraguai faz grande campanha no Mundial, tendo vencido a Itália, na primeira fase, e eliminado a Argentina (campeã continental) nas oitavas de final, em virada épica de 3 a 2, após estar perdendo por 2 a 0, no intervalo. Ainda goleou as Ilhas Salomão (7 a 0) e empatou com o México (0 a 0). Se o craque do time, Fernando Ovelar, de apenas 15 anos, não tem feito apresentações à altura da fama de já ter atuado pelo time principal do Cerro Porteño no clássico com o Olimpia, o destaque tem sido o centroavante Diego Duarte, de 17 anos, capitão e autor do golaço da classificação nas oitavas de final. O atacante do Olímpia tem três gols e uma assistência na competição. O meia Rodrigo López, do Libertad, é excelente passador, com quatro assistências – a melhor marca geral no campeonato. Os paraguaios tentam uma inédita vaga nas semifinais de um Mundial Sub-17.

Avançar para as semifinais não chega a ser novidade para a atual bicampeã europeia Holanda, embora raro. A Laranja foi terceira colocada na edição de 2005 (no Peru), ganhando da Turquia. A equipe começou surpreendentemente mal aqui no Brasil, perdendo as duas primeiras partidas do Grupo D, para o Japão (0 a 3) e Senegal (1 a 3), mas se recuperou, ao golear os Estados Unidos (4 a 0), e, nas oitavas de final, passando pela Nigéria (3 a 1). O ponta Hansen, do Ajax, é o artilheiro desta edição da Copa do Mundo, com cinco gols marcados nas últimas duas vitórias, quando passou a jogar de centroavante. É rápido, driblador e passador de qualidade (tem uma assistência). O zagueiro Ki-Jana Hoever (do Liverpool, da Inglaterra) voltou a jogar bem na posição de origem, a zaga central, após ter sido escalado pelo técnico Peter van der Veen como lateral-direito nas duas derrotas iniciais.

Coreia do Sul x México – 20h – Estádio Kleber Andrade – Cariacica (ES)

Campeões em 2005 e 2011, os mexicanos tentarão chegar às semifinais de um Mundial Sub-17 pela quarta vez. As outras duas foram em 2013, quando perderam a decisão do título para a Nigéria (3 a 0) e em 2015, quando acabaram em quarto lugar, com a derrota para a Bélgica (2 a 3). Dois dos 21 convocados nasceram nos Estados Unidos e são companheiros de ataque: Efraín González (do Los Angeles Galaxy, da MLS americana), artilheiro do time com três gols e duas assistências, e Santiago Muñoz (do Santos Laguna), que marcou um gol e cujos pais se instalaram na cidade americana de El Paso, na fronteira com o México. Efraín nasceu em Los Angeles, onde vive e joga. Os dois se conheceram apenas na seleção e se tornaram parceiros. Mais técnico, Efraín González é considerado pelo sueco Zlatan Ibrahimovic o jogador de maior futuro na MLS. Muñoz é considerado mais rompedor, embora tenha feito um bonito gol de habilidade e velocidade no triunfo sobre o Japão. Além deles, o cabeça-de-área Eugenio Pizzuto e o meia esquerda Bruce El-Mesmari, ambos do mexicano Pachuca, são lideranças técnicas e táticas em campo.

A Coreia do Sul jamais chegou a uma semifinal da Copa do Mundo Sub-17 e faz campanha surpreendente até aqui. Foi semifinalista do Campeonato Asiático, perdendo o terceiro lugar para o já eliminado no Mundial Tajiquistão. Aqui no Brasil, terminou em segundo lugar no Grupo C, atrás apenas da líder França, da qual perdeu por 3 a 1, vencendo Haiti e Chile, sempre por 2 a 1. Sanghoon Paik fez o gol mais rápido deste Mundial – e o quinto da história da competição -, aos 52 segundos do jogo com o Chile, o único do jogador até agora nesta edição. Minseo Choi é o artilheiro, com dois gols, e o destaque da seleção. Jogou todos os 90 minutos das quatro partidas até aqui.

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