Noite para confirmar a melhor campanha do Mundial Sub-17

Brasil 100% quer melhorar passe para controlar Chile, que fez só três de nove pontos possíveis

BRASÍLIA. O confronto sul-americano que aguarda a seleção brasileira sub-17, nesta quarta-feira, tem a marca dos opostos. Após conseguir três vitórias e 100% de aproveitamento no Grupo A, a equipe treinada por Guilherme Dalla Déa enfrenta o Chile, terceiro colocado no Grupo C, com apenas uma vitória e duas derrotas na primeira fase. O jogo começa às 20h, no Estádio Bezerrão, no Gama, cidade-satélite de Brasília, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo Sub-17. É noite para confirmar que a seleção de melhor campanha da fase de grupos tem condições de avançar na competição, sem se deixar surpreender em casa.

Nas fases eliminatórias do Mundial, a partir das oitavas de final, se uma partida estiver empatada ao final dos 90 minutos, nenhuma prorrogação será disputada, com o vencedor conhecido por cobranças de pênaltis.

– Sabemos que não podemos mais errar, que não podemos mais falhar, mas não podemos tirar a alegria de jogar destes atletas. Jogar bom futebol é o que eu cobro deles, e vou cobrar amanhã (hoje). Queremos ganhar, queremos jogar bem, mas sempre com a característica do futebol brasileiro – afirmou Guilherme Dalla Déa, antes do treino da tarde de terça-feira, no CECAF dos Bombeiros do Distrito Federal.

O técnico Guilherme Dalla Déa, da seleção sub-17 (Foto: Alexandre Loureiro/CBF)

A seleção brasileira busca alternativas para fortalecer o meio-campo, que não fez boa exibição diante de Angola. Peglow, do Internacional, marcou dois gols na estreia diante do Canadá, mas não jogou bem nas duas partidas seguintes. Ele poderia ser o armador de jogadas que tem faltado à equipe, mas acabou substituído no terceiro jogo, depois de ter feito uma partida também abaixo do esperado diante da Nova Zelândia.

– Contra Angola, não aceleramos o jogo como deveríamos, e isso deu a impressão de um jogo moroso, mais lento. Temos que acelerar os passes contra o Chile. Quando você faz um passe bem executado, você tem grande chance de chegar ao gol. O ajuste é nisso: qualificar esse último passe, para que resulte em gol. Um gol leva a gente para as quartas de final. Então, precisamos ter uma equipe qualificada para atacar e defender – avaliou Guilherme Dalla Déa.

Os chilenos fizeram campanha irregular no Grupo C. Perderam da França (0 a 2), na estreia; depois, ganharam do Haiti (4 a 2); e, por fim, foram derrotados pela Coreia do Sul (1 a 2).

– O Chile tem dois zagueiros muito construtores, e a gente precisa ter atenção no passe desses zagueiros para os meio-campistas. Sabemos que têm jogadores de força na frente. São jogadores potentes. A gente tem de neutralizar esse passe de zagueiro para o meio-campo – avaliou o técnico Guilherme Dalla Déa.

Jogando em casa, a seleção brasileira faz ótima campanha, com vitórias sobre o Canadá (4 a 1), a Nova Zelândia (3 a 0) e Angola (2 a 0), no Grupo A. O atacante Veron, do Palmeiras, tem sido o destaque da equipe. É também um dos artilheiros da seleção, com dois gols em três jogos, mesmo número de Talles Magno (do Vasco) e Peglow (do Internacional).

Veron, atacante do Palmeiras, tem sido o destaque da seleção brasileira (Foto: Alexandre Loureiro/CBF)

O Brasil e a França foram as únicas das 24 seleções participantes do Mundial a ganharem suas três partidas na fase de grupos. Com melhor campanha, os brasileiros fizeram nove gols e sofreram apenas um, enquanto os franceses marcaram sete vezes e também levaram um.

Se o Chile não faz exibições de realce no Mundial em comparação com a brasileira, há pouco menos de cinco meses, a situação foi bem diferente. No Sul-Americano Sub-17, disputado em abril, no Peru, a seleção chilena terminou vice-campeã, com os mesmos 10 pontos da Argentina, vencedora do Hexagonal Final pelo melhor saldo de gols.

O Brasil, na ocasião, sequer conseguiu se classificar para o Hexagonal Final do Sul-Americano Sub-17, ao terminar em quarto lugar no Grupo B da primeira fase. Ficou atrás de Uruguai, Paraguai e Argentina, pelo saldo de gols, já que todos os quatro países fizeram sete pontos. Já no Hexagonal, além da campeã Argentina e do vice Chile, classificaram-se para a Copa do Mundo Sub-17 o Paraguai e o Equador.

– O Mundial é bem diferente do Sul-Americano. A gente sabe que as seleções vão se ajustando. O Chile não se classificou por acaso. É uma seleção talentosa, por isso, está nas oitavas de final. A importância da torcida de brasileira é grande. Eu peço para que o torcedor de Brasília, de Gama, encha o estádio, para que possa nos ajudar nessa missão – pediu o treinador brasileiro.

Todos os cinco sul-americanos avançaram para as oitavas de final do Mundial, que a seleção brasileira só está jogando por ser o país-sede, depois de a Fifa retirar a organização do Peru – originalmente o anfitrião – no dia 15 de março deste ano, por problemas de infraestrutura e atrasos no cronograma de obras.

Talles Magno, do Vasco, mostra habilidade no treino (Foto: Alexandre Loureiro/CBF)

No domingo passado, a seleção recebeu má notícia: o lateral-direito Yan Couto, do Coritiba, foi suspenso por duas partidas pelo Comitê Disciplinar da Fifa, por causa do cartão vermelho direto, aos 41 minutos do primeiro tempo na vitória sobre a Nova Zelândia. O jogador cumpriu a suspensão automática no triunfo sobre Angola, e a segunda partida ausente será hoje, nas oitavas de final. Com isso, Garcia, do Palmeiras, continua titular.

– Vou manter a equipe que começou diante de Angola. No decorrer do jogo, podemos mexer em alguma situação – afirmou Dalla Déa.

A punição de dois jogos surpreendeu a comissão técnica, embora a Fifa tenha como costume punir com mais de um jogo de suspensão todos os jogadores que recebam cartão vermelho direto, casos de Yan Couto e também do mexicano Rafael Martínez, expulso na derrota para a Itália, na primeira fase.

Por outro lado, Diego Rosa (do Grêmio) se tornou titular contra Angola, na vaga de Talles Costa (do São Paulo), e teve atuação elogiada pelo técnico Guilherme Dalla Déa.

– (Diego Rosa) É um segundo volante capaz de ir de uma intermediária à outra e concluir em gol. Deu um ritmo mais atuante ao nosso meio-campo contra Angola – avaliou o treinador.

Diego Rosa, do Grêmio, tornou-se titular contra Angola (Foto: Alexandre Loureiro/CBF)

Mais cedo, às 16h30m, na preliminar de Brasil x Chile, jogam Japão (1º do Grupo D) x México (3º de F). Os japoneses são a maior surpresa da competição e a única seleção que não sofreu gol. A segurança atende pelo nome de Zion Suzuki, de 17 anos, goleiro de ascendência ganesa.

– É um goleiro muito rápido e ágil. Eu o conheço desde os 14 anos. Não é surpresa o que tem jogado aqui – avaliou o técnico brasileiro.

Os atacantes Nishikawa e Wakatsuki representam o poderio ofensivo japonês. O primeiro é considerado o craque, enquanto o segundo impressiona pela movimentação e força na área. Os mexicanos conseguiram a terceira maior goleada da história do Mundial Sub-17, com 8 a 0 sobre as Ilhas Salomão, mas não jogaram bem diante da Itália e do Paraguai. O atacante Efraín Álvarez, com três gols, destacou-se no último jogo, embora tenha atuado mal na estreia diante do Paraguai (0 a 0). O zagueiro Rafael Martínez cumpre o segundo jogo de suspensão pelo cartão vermelho direto recebido na derrota para a Itália, no Grupo F.

Outros jogos de hoje:

O Estádio da Serrinha, em Goiânia, com capacidade para 4.935 torcedores, também recebe rodada dupla de ótimos jogos. Às 16h30m, a Espanha (1ª de E) enfrenta o Senegal (2º de D). Os espanhóis têm no atacante Pedri González (do Las Palmas, mas já comprado pelo Barcelona) o destaque, juntamente com o meia-atacante Navarro, da Real Sociedad. Os senegaleses mostraram força ofensiva, com aplausos para o meia Pape Sarr e o atacante Faye, duas ameaças para qualquer adversário. Sarr marcou três gols na fase de grupos.

Às 20h, a favorita França pega a Austrália. Com 100% de aproveitamento no Grupo C, Les Bleuets (Os Azuiszinhos) se destacaram na primeira fase. O grande nome é o meia-atacante Adil Aouchiche, do Paris Saint-Germain, artilheiro do Europeu Sub-17, com nove gols. Trata-se de um meia de armação e de finalização que tem faltado à maioria das seleções – inclusive, a brasileira. O ponta Elhadji, do Olympique de Marselha, tem habilidade, velocidade e finalização. Na Austrália, o goleiro Pavlesic foi o herói da vitória sobre a Nigéria, com oito defesas arrojadas. E o atacante Botic marcou quatro dos cinco gols da seleção, sendo vice-artilheiro do Mundial.

Botic foi ultrapassado pelo holandês Hansen, que chegou aos cinco gols ao marcar os três da vitória da Laranja sobre a Nigéria por 3 a 1, na noite de terça-feira, no Estádio Olímpico Pedro Ludovico, também em Goiânia. No outro jogo de ontem, que abriu as oitavas de final, a Coreia do Sul eliminou Angola por 1 a 0, gol de Choi Minseo, aos 33 minutos.

Nas quartas de final, os sul-coreanos enfrentarão o ganhador de Japão x México, domingo, às 20h, em Cariacica (ES), enquanto os holandeses jogarão na preliminar, às 16h30m, com o vencedor de Paraguai x Argentina (que se enfrentarão amanhã, às 20h, em Cariacica).

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