Seleção leva virada, mas se recupera e pega Itália ou Equador. Lesão afasta Talles Magno
BRASÍLIA. Pela primeira vez em quatro jogos na Copa do Mundo Sub-17, o Brasil teve que virar o placar para continuar vencendo e manter os 100% de aproveitamento. Em outra partida dramática, a seleção anfitriã eliminou o Chile por 3 a 2, avançou às quartas de final e espera na próxima segunda-feira, às 20h, em Goiânia, o vencedor de Equador x Itália, jogo que acontece hoje, às 16h30m, em Cariacica (ES).
Depois da vitória, a notícia ruim. Talles Magno, do Vasco, não joga mais o Mundial. O atacante sofreu estiramento no bíceps femoral da coxa direita nos acréscimos da partida. Após exame de imagem em um hospital da Asa Sul de Brasília, foi diagnosticada a lesão, com tempo de recuperação maior do que o período até as datas das quartas de final (segunda-feira), semifinais (dia 14) e final (17) da competição.
A seleção brasileira deu a impressão que resolveria facilmente a partida, com ritmo intenso e pressão na saída de bola chilena nos primeiros dez minutos. Kaio Jorge, do Santos, pegou o rebote da pixotada da zaga e obrigou o goleiro Fierro a espalmar a córner, logo aos cinco minutos.

Aos oito, o zagueiro Daniel González cortou com o braço a trajetória da bola quase na entrada da área. Kaio Jorge aproveitou a barreira mal armada pelo goleiro Fierro e colocou fora do alcance do chileno, na cobrança de falta: Brasil 1 a 0, com pressão total da seleção anfitriã.
O Brasil fazia o que o técnico Guilherme Dalla Déa anunciou que faria: sufocou a saída de bola chilena, dificultando o passe dos zagueiros para os meias e saindo em velocidade para o ataque. Assim, surgiu a jogada do segundo gol de Kaio Jorge, que acabou anulado por impedimento, aos 14 minutos.
Esse lance pareceu mexer com a equipe, que diminuiu o ritmo e afrouxou a marcação. O Chile chegou ao inesperado empate, após vacilo triplo de Luan Patrick, Peglow e Diego Rosa. Cruz pegou o rebote e acertou o canto baixo direito de Matheus Donelli: 1 a 1, no Bezerrão, aos 25 minutos. Foi o primeiro chute a gol dos chilenos na partida.
O meio-campo e o ataque chilenos perceberam a lentidão da dupla de zagueiros brasileiros e buscaram as tabelas rápidas. Foi assim que Rojas chutou da entrada da área, e Matheus Donelli evitou a virada adversária, logo em seguida.
Não foi por falta de aviso e de vídeo. Na preparação para o jogo, o técnico Guilherme Dalla Déa alertou sobre os passes longos e saídas de bola dos zagueiros chilenos. Mesmo assim, o zagueiro González lançou da intermediária chilena o meia Cruz, que aproveitou o erro de marcação e penetrou livre entre o lateral Garcia e o capitão Henri para tocar rasteiro no canto esquerdo de Donelli, aos 41. A inesperada virada chilena se tornara realidade: 2 a 1.

Praticamente no último lance do primeiro tempo, houve pênalti do goleiro Fierro em Kaio Jorge, que cobrou à direita do chileno e empatou o jogo aos 47: 2 a 2 no Bezerrão. Foi o terceiro gol do centroavante do Santos em quatro jogos da Copa do Mundo Sub-17.
Foi um primeiro tempo preocupante da seleção brasileira, especialmente na recomposição defensiva dos meias e laterais. Levou um gol (o segundo) de jogada insistentemente mostrada e falada pelo treinador na preparação do jogo. Cruz, meia inteligente, aproveitou espaços deixados pelo lateral Garcia.
No intervalo, o técnico chileno Cristian Leiva tirou o atacante Sepúlveda e pôs Oroz para insistir nas jogadas em cima do lateral Garcia.
O técnico Guilherme Dalla Déa sacou Peglow, que fazia outra atuação ruim, e pôs Pedro Lucas, do Grêmio, para tentar dar mais movimentação e criatividade ao meio-campo. Acabou liberando Diego Rosa para aparecer mais na frente e criar jogadas de perigo.

Deu certo. Dez minutos depois, Diego Rosa fez o segundo gol dele no campeonato e o terceiro do Brasil contra o Chile, com um balaço de fora da área. De mão trocada, o goleiro Fierro ainda tocou na bola, mas não conseguiu o desvio suficiente para evitar o 3 a 2, aos 19 do 2º tempo. Diego Rosa salvou o Brasil, mas está fora das quartas de final por ter recebido o segundo cartão amarelo.
O Chile se mandou tentando o empate e trocou o lateral Riquelme pelo atacante Díaz, mas deu espaços ao Brasil, que desperdiçou quatro contra-ataques para tranquilizar a torcida. No fim, a vitória por 3 a 2 confirmou, apesar do desempenho irregular, a classificação para as quartas de final.
PATRYCK RECUPERADO
Depois do jogo, havia duas preocupações: Talles Magno sentiu dores na região da posterior da coxa direita quase no fim da partida. E foi diagnosticado com a lesão no bíceps femoral, que o tira do Mundial. A CBF não deu prazo para a recuperação, mas afirmou que o atacante não joga mais o Mundial.
O lateral Patryck também passou por exames, após o choque de cabeça que o tirou da partida, aos 40 minutos do segundo tempo. Felizmente, não foi constatada qualquer lesão. O jogador estará à disposição para as quartas de final.
Brasil: Matheus Donelli – Garcia, Henri, Luan Patrick e Patryck (Renan, aos 41 do 2º tempo) – Daniel Cabral – Diego Rosa, Veron, Peglow (Pedro Lucas, aos 9 do 2º tempo) e Talles Magno – Kaio Jorge (Sandry, aos 31 do 2º tempo). Chile: Fierro – Bruno Gutiérrez, Daniel González, Daniel Gutiérrez e Riquelme (Díaz, aos 35 do 2º tempo) – Pizarro, Cruz (Pérez, aos 27 do 2º tempo) e Rojas – Tapia, Aravena e Sepúlveda (Oroz, no intervalo). Árbitro: Andris Treimanis, auxiliado por Haralds Gudermanis e Aleksejs Spas jonnikovs (todos da Letônia). Cartões amarelos: Daniel González, Bruno Gutiérrez, Diego Rosa, Cruz e Patryck. Renda: R$ 194.105,00. Público: 11.017 pagantes e 2.048 não pagantes.
OUTROS JOGOS
Na preliminar, o até então invicto Japão foi eliminado pelo México, ao perder por 2 a 0, com gols de Pizzuto e Muñoz. Os mexicanos vão enfrentar a Coreia do Sul, domingo, às 20h, em Cariacica (ES), pelas quartas de final.
Em Goiânia a Espanha bateu o Senegal por 2 a 1 e a França goleou a Austrália por 4 a 0. As duas seleções vão se enfrentar na segunda-feira, às 16h30m, no Estádio Olímpico Pedro Ludovico, em Goiânia, na preliminar do jogo do Brasil.
