Brasil sofre para bater Angola e avançar em primeiro. Veron homenageia a mãe na arquibancada
O Brasil suou muito, mas venceu Angola por 2 a 0, terminando em primeiro lugar no Grupo A da Copa do Mundo Sub-17, com nove pontos em três rodadas. A partida, disputada nesta sexta-feira, no Estádio Olímpico Pedro Ludovico, em Goiânia, foi carregada de sustos para a equipe treinada por Guilherme Dalla Déa, que teve pela frente um adversário veloz e perigoso ofensivamente, além de bem postado na defesa. Com o resultado, a seleção brasileira espera o terceiro colocado dos grupos C, D ou E, ainda por definir, no próximo dia 6, em Brasília.
Angola terminou em segundo lugar no Grupo A, com seis pontos em três partidas e continuará em Goiânia, para enfrentar a segunda colocada do Grupo C, no dia 5, às 16h30m, novamente no Estádio Olímpico.
O técnico Pedro Gonçalves poupou quatro titulares para enfrentar o Brasil: o goleiro Geovani, o lateral-esquerdo e capitão Gegê, o cabeça-de-área Domingos e o meia Zini. Os dois últimos só entraram no segundo tempo. Mesmo assim, não mudou seu estilo de jogo, com marcação forte e transição em velocidade.
O Brasil não conseguiu impor o ritmo pela primeira vez e viu o adversário quase sair na frente, com David, que chutou para o goleiro Matheus Donelli espalmar e a bola ainda tocar a trave esquerda, antes de sair para escanteio.

Sem Yan Couto, suspenso pela expulsão diante da Nova Zelândia, a seleção teve Garcia, na lateral direita; e Diego Rosa, no meio, no posto de Talles Costa. Os dois substitutos ganharam elogios do técnico Guilherme Dalla Déa.
– Ganhamos maior consistência defensiva com o Garcia, que ainda tem uma bola parada muito forte em cobranças de faltas. Diego (Rosa) é aquele meia que vai da nossa intermediária à área adversária com facilidade para finalizar e quase marcou um gol, criando outras jogadas – analisou.
Com Peglow sem a movimentação mostrada na estreia contra o Canadá, a seleção teve muitas dificuldades para furar as linhas angolanas. Talles Magno começou a vir buscar a bola quase na defesa esquerda brasileira para tentar criar jogadas, mas sempre marcado por zona no setor em que caía. Os angolanos deixavam poucos espaços entre as linhas e dificultavam um Brasil sem infiltração.

Patryck, lateral-esquerdo do Brasil, tenta parar o ponta Zito, de Angola, que deu trabalho à seleção anfitriã (Foto: Alexandre Loureiro/CBF)
Foi o primeiro jogo em que a seleção não deu um chute certo a gol nos primeiros 23 minutos. E só conseguiu ameaçar aos 26, em cobrança de falta de Kaio Jorge, que passou tirando tinta do poste direito de Cambila.
Demorou, mas o Brasil ameaçou a meta angolana, aos 29 minutos. Cambila salvou duas vezes e evitou o gol brasileiro, primeiro em chute; e imediatamente depois na cabeçada à queima-roupa de Diego Rosa. O meia do Grêmio melhorou no jogo e apareceu para finalizar, como quer o técnico Guilherme Dalla Déa.
Aos 35, o árbitro sueco Andreas Ekberg paralisou o jogo por cerca de dois minutos, por causa dos raios que caíam na região do estádio. Após conversar com o coordenador-geral, o mexicano Raúl Méndez, o juiz decidiu continuar a partida.
Aos 41, o Brasil desperdiçou uma rara chance, quando Talles Magno ajeitou de cabeça para Veron chutar de primeira na grande área, mas o atacante do Palmeiras pegou mal na bola e mandou para fora.
Aos 46 minutos, em jogada ensaiada de cobrança de falta, o lateral Garcia colocou a bola à feição do zagueiro Henri, que cabeceou para fora, completamente livre no segundo poste.
O primeiro tempo sem gol no Estádio Olímpico Pedro Ludovico mostrou Angola melhor e mais ameaçadora nos primeiros 25 minutos. Depois, o Brasil criou seis oportunidades, com lançamentos longos e duas jogadas ensaiadas de bola parada. O goleiro Cambila salvou as duas melhores, de Diego Rosa.
O Brasil não voltou bem no segundo tempo, e quase saiu o gol de Angola. Zito passou de passagem pelo capitão Henri, mas chutou cruzado na rede pelo lado de fora. Um susto, aos 10 do segundo tempo.
O técnico Guilherme Dalla Déa tentou dar mais movimentação ao meio-campo, tirando Peglow (do Internacional) e colocando Lázaro (do Flamengo), aos 14 minutos do segundo tempo, no mesmo momento em que o português Pedro Gonçalves, treinador de Angola, pôs o descansado titular Zini no lugar do atacante David.
O jogo continuava equilibrado, quando saiu o primeiro gol brasileiro, aos 23 minutos. A cobrança de escanteio de Diego Rosa achou livre o zagueiro Henri, que cabeceou para o chão, Talles Magno ainda tocou e a bola desviou no zagueiro Pablo, antes de enganar o goleiro Cambila.
– Tivemos algumas dificuldades, mas a equipe está de parabéns pela campanha e pela dedicação. Resolvemos o jogo com nossa tranquilidade e uma jogada ensaiada de escanteio. Se eu não tivesse tocado na bola, a cabeçada do Henri entraria do mesmo jeito – avaliou Talles Magno, na zona mista de entrevistas, após a vitória.

O segundo gol saiu aos 32. Veron fez fila na defesa de Angola, passou por três adversários e tocou com categoria para marcar 2 a 0 Brasil. Depois, o jogador do Palmeiras ainda correu para fazer o coraçãozinho para a mãe Gracielly Fonseca, que estava na arquibancada, perto de uma das bandeirinhas de escanteio. Foi o gesto de alívio para celebrar o fim do sofrimento em campo e a terceira vitória, que manteve invicta e com 100% de aproveitamento a seleção brasileira nesta Copa do Mundo Sub-17.
Brasil: Matheus Donelli – Garcia, Henri, Luan Patrick e Patryck (Gabriel Noga, aos 36 do 2º tempo) – Matheus Cabral (Sandry, aos 42 do 2º tempo) – Verón, Diego Rosa, Peglow (Lázaro, aos 14 do 2º tempo) e Talles Magno – Kaio Jorge.
Angola: Cambila – Afonso, Pablo, Mimo e Porfírio – Pedro, Beni (Nelinho, aos 37 do 2º tempo) e Maestro (Domingos, aos 28 do 2º tempo) – Zito, David (Zini, aos 14 do 2º tempo) e Capita.
Árbitro: Andreas Ekberg (Suécia).
Cartão amarelo: Capita e Afonso.
Renda e público: R$ 132.635,00, com 6.758 pagantes e 3.055 não pagantes. São os maiores público e renda de rodada dupla da sede de Goiânia até agora na Copa do Mundo Sub-17.
Preliminar: Equador 3 x 2 Hungria. Os equatorianos se classificaram para as oitavas de final em segundo lugar do Grupo B, com os mesmos seis pontos da líder Nigéria, que perdeu para a Austrália por 2 a 1. Os australianos têm quatro pontos e esperam os resultados dos outros grupos para saber se avançarão como um dos quatro melhores terceiros colocados.
