Camisa 10 da seleção, que jogará pela primeira vez um campeonato da Fifa, foi um dos destaques do futsal nos Jogos Olímpicos da Juventude-2018, em Buenos Aires

BRASÍLIA – Raphael Le’ai completou 16 anos em setembro passado e vai fazer história duplamente nesta segunda-feira, em Brasília. Ao entrar em campo com a camisa 10 da seleção das Ilhas Salomão, o atacante canhoto se tornará o primeiro atleta a ter disputado uma edição de Jogos Olímpicos da Juventude por um esporte, o futsal, e de uma Copa do Mundo de futebol organizada pela Fifa, no caso, o Mundial Sub-17. A partida contra a Itália, às 17h, no Bezerrão, também será a primeira da história da nação formada por centenas de pequenos arquipélagos no Pacífico Sul em qualquer campeonato da Fifa.
Ao contrário da maioria esmagadora de rapazes da idade dele, Le’ai ainda tem dúvidas sobre se dedicar exclusivamente ao futebol, esporte que pode lhe render muito dinheiro.
– Enquanto eu puder, vou levando os dois e jogando tanto futebol quanto futsal. Eu adoro o futsal – contou o camisa 10, na tarde de domingo, após o reconhecimento do gramado do Bezerrão.
Tímido e sempre olhando para o técnico da seleção, Stanley Waita, como se pedisse autorização para responder a cada pergunta feita por mim, Raphael Le’ai chamou a atenção nas Olimpíadas da Juventude-2018, em Buenos Aires, quando fez 7 gols nas primeiras três partidas das Ilhas Salomão no torneio olímpico de futsal. A atuação mais marcante dele foi contra a Rússia, uma das potências do esporte da bola pesada, quando marcou todos os quatro gols de sua seleção na derrota por 11 a 4.
Os torcedores argentinos começaram a torcer por Le’ai e pelas Ilhas Salomão naquela partida, em que o jovem pivô teve de assinar vários autógrafos após o apito final.

Faz exatamente um ano que aquele desempenho nos Jogos Olímpicos da Juventude chamou a atenção de Stanley Waita. O técnico convocou Le’ai para jogar na seleção sub-17 de futebol, que, ainda em 2018, sediaria o torneio classificatório da Oceania para a Copa do Mundo Sub-17. Os anfitriões fizeram um improvável dever de casa e conseguiram a classificação em segundo lugar, perdendo apenas nos pênaltis para a Nova Zelândia na decisão do título.
Destaque da equipe no torneio, Le’ai foi contratado para jogar futebol pelo Wellington Phoenix, da Nova Zelândia. Ganhou uma bolsa para estudar no Scots College e, logo na primeira temporada do Campeonato Colegial Juvenil da Nova Zelândia, o atacante terminou campeão pelo Scots College e artilheiro da competição, com incríveis 41 gols. Foi o primeiro título dele e do colégio na história da competição nacional.
Não à toa, Le’ai já chama a atenção de mais de 200 estatísticos e observadores de clubes do mundo inteiro que estão acompanhando a Copa do Mundo Sub-17. Há uma curiosidade sobre como o jogador das Ilhas Salomão vai se sair logo na estreia de segunda-feira, diante da gigante Itália, na partida de abertura do Grupo F da Copa do Mundo Sub-17, às 17h, no Estádio Bezerrão, em Brasília. Os italianos, atuais vice-campeões europeus, são candidatos a superar a maior goleada da história da competição, em poder da Espanha, que arrasou a Nova Zelândia por 13 a 0, na edição de 1997. Mas Le’ai me garantiu estar tranquilo.
– Eu estou muito feliz por estar pela primeira vez numa Copa do Mundo da Fifa e quero desfrutar dessa felicidade aqui, fazendo o meu melhor. O técnico tem me ajudado muito na adaptação ao futebol de campo – realçou o rapaz.
A transição das quadras para os gramados, que já vitimou muitos astros do passado do futsal, como os brasileiros Falcão, Manoel Tobias e Jackson, não parece amendrontar Raphael Le’ai.
– A transição é muito difícil. Realmente, é complicada. Mas eu tenho recebido muita ajuda e orientação do meu técnico. Por isso, vou tentar levar a vida nos dois esportes, enquanto puder – encerrou o atacante, que espera fazer uma nova história de gols, agora na Copa do Mundo Sub-17.
